Arrecadação federal tem recorde para maio com receita extraordinária

segunda-feira, 24 de junho de 2013 15:31 BRT
 

BRASÍLIA, 24 Jun (Reuters) - O governo federal arrecadou 87,858 bilhões de reais em impostos e contribuições no mês passado, uma alta real de 5,80 por cento sobre igual período de 2012. O resultado foi recorde para meses de maio, mas foi beneficiado pela receita extraordinária de 4 bilhões de reais.

Segundo informou a Receita Federal, a forte alta da arrecadação no mês passado foi consequência das receitas extraordinárias de 3 bilhões de reais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e de mais 1 bilhão de reais do PIS e Cofins, "em decorrência de depósito judicial e venda de participação societária".

Fora o bom desempenho desses tributos, na comparação de maio deste ano com igual mês do ano passado os tributos ligados ao consumo e ao crédito apresentaram quedas: o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) total registrou retração de 18,43 por cento, o IPI Automóveis mostrou recuo de 30 por cento e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), queda de 8,40 por cento.

Pesquisa Reuters apontava para uma arrecadação de 86 bilhões de reais no mês passado, segundo a mediana de oito previsões.

No ano, a arrecadação acumula 458,302 bilhões de reais, com expansão real de 0,77 por cento frente a igual período de 2012. Entre os fatores do baixo crescimento, a Receita Federal citou as desonerações, que representaram 9,134 bilhões de reais a menos nos cofres do governo neste ano até maio.

O governo espera que a arrecadação mostre melhores resultados porque acredita que a lucratividade das empresas vai melhorar.

A previsão do fisco federal é que a arrecadação registre aumento real entre 3 e 3,5 por cento este ano, levando em conta a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5 por cento este ano.

Mas os economistas em geral apostam num crescimento bem abaixo disso. Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta manhã, mostrou que economistas de instituições financeiras preveem agora uma expansão de 2,46 por cento do PIB.

A recuperação da receita é crucial para o governo cumprir a meta mínima de superávit primário de 2,3 por cento do PIB para este ano anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo ele, se necessário, dependendo do comportamento da receita tributária, o governo poderá ampliar o corte de gastos públicos de 28 bilhões de reais já anunciado.

(Reportagem de Luciana Otoni)