June 24, 2013 / 6:29 PM / 4 years ago

Leilão A-0 termina sem venda de energia

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de energia existente "A-0" terminou sem negociação de energia nesta segunda-feira, sinalizando que geradoras ainda consideram que poderão obter preços mais altos pela eletricidade que produzem no curto prazo em vez de travarem valores em contratos de leilão.

O leilão teve duração de apenas 6 minutos, segundo informações no site da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), num sinal de que não houve oferta de energia por parte das geradoras.

"As geradoras interpretaram que é mais negócio, em vez de vender no leilão, continuar vendendo no curto prazo... O interessante é que o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) está mais baixo, mas mesmo assim, as geradoras interpretaram que é mais negócio vender no curto prazo", disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), Luiz Fernando Vianna.

O PLD é calculado semanalmente e serve como base para a formação de preço de energia dos contratos de curto prazo. O cálculo do PLD é influenciado, entre outros fatores, pelas condições dos reservatórios das hidrelétricas do país, tendendo a subir em momentos de seca -- sendo que chegou a ficar acima de 400 reais por MWh no início do ano.

Atualmente, com a melhora das condições hidrológicas, entre outros fatores, o PLD caiu e está em cerca de 140 reais por megawatt-hora (MWh), abaixo do preço-teto que estava estabelecido para o leilão de 171,8 reais por MWh.

Para o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego, o resultado do leilão mostra que os geradores estão esperando que o PLD seja na média maior que esse preço-teto em negociações de curto prazo, mesmo considerando a segurança que um contrato de leilão daria ao travar o preço em contrato.

A partir de agosto, deverá entrar em vigor nova regra que incorpora no PLD o custo de térmicas mais caras, acionadas fora da ordem de mérito, o que tende a elevar o PLD.

O leilão "A-0" negociaria energia para cobrir as necessidades de contratação das distribuidoras entre 1o de julho de 2013 e 30 de junho de 2014, e chegou a ser remarcado e alterado anteriormente diante de expectativas de que não houvesse oferta.

Agentes do setor com energia disponível para venda já não ofertaram energia em outro leilão de curto prazo --o de ajuste "A-1", feito em março-- já que o preço-teto estabelecido para venda de energia na competição era menor que a expectativa de preço de energia no mercado de curto prazo (PLD).

Para o leilão desta segunda-feira, especialistas do setor consideravam que o cenário de preço estava mais propício, em relação ao realizado em março, para permitir a negociação de energia na competição, diante da melhora na situação dos reservatórios das hidrelétricas.

Com o fracasso do leilão, as distribuidoras ainda têm necessidade de contratar cerca de 2 mil MW de energia no curto prazo para cobrir falta da energia das geradoras que não renovaram concessões de forma antecipada e não disponibilizaram energia às concessionárias na forma de cotas.

Por Anna Flávia Rochas

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