SP e PR reavivam temor de intervencionismo,mercado modera críticas

terça-feira, 25 de junho de 2013 07:44 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Anúncios de governos paulista e paranaense sobre suspensão de reajustes tarifários reavivaram temores de intervencionismo estatal sobre prestadoras de serviços públicos, mas o mercado moderou as críticas, citando o momento político conturbado.

Ações das concessionárias que operam rodovias de São Paulo tombaram na véspera após o governador Geraldo Alckmin anunciar que cancelou o aumento de cerca de 6,5 por cento das tarifas de pedágios nas rodovias do Estado, que deveria entrar em vigor a partir de 1o de julho.

A ação da CCR caiu 3,3 por cento, enquanto a da Ecorodovias perdeu 2,7 por cento e a da Arteris perdeu 3,5 por cento.

Enquanto isso, a estatal paranaense de energia Copel, acatou o pedido do governo do Estado --seu controlador-- e pediu à Aneel o cancelamento do aumento médio das tarifas de 14,6 por cento. O pedido ocorreu após as ações da companhia terem tombado 17 por cento na sexta-feira, quando o governador paranaense, Beto Richa, afirmou que pediria a suspensão do reajuste.

Para profissionais do mercado, as medidas tomadas menos de uma semana após a revogação de aumento de tarifas de transporte público em várias capitais -- em resposta aos protestos populares que tomaram o país-- acirram a sensação de intervencionismo estatal.

As medidas levaram vários analistas a citarem o plano federal lançado em setembro para renovação antecipada das concessões do setor elétrico, que impuseram perdas pesadas às ações do setor desde então. No caso do Paraná, a decisão lembrou os investidores das suspensões de tarifa realizadas pelo antigo governador Roberto Requião, que causou significativas perdas para a companhia.

"As manifestações impõem risco político adicional a todos os reajustes de preços dependentes de concessões", disse o presidente da agência de classificação de risco SR Rating, Paulo Rabello de Castro.

O receio de que o esforço de governos para dar uma resposta às manifestações populares os levem a intervir nas tarifas de outras empresas com preços regulados, pesou em várias companhias. As ações da estatal paulista de saneamento Sabesp caíram 11,8 por cento só nos dois últimos pregões.

"Todos os papéis que são ligados a reajuste de tarifas sofrem", disse Walter Mendes, sócio na Cultinvest Asset Management. "Normalmente esses são setores bem defensivos, onde investidores buscam refúgio nesses momentos ruins de mercado, mas esse cenário (de manifestações) não ajuda muito."   Continuação...