UE deverá cortar subsídios a grandes fazendas em nova política agrícola

terça-feira, 25 de junho de 2013 12:46 BRT
 

LUXEMBURGO, 25 Jun (Reuters) - Negociadores da União Europeia concordaram que grandes fazendas irão perder até 30 por cento dos atuais subsídios em um grande passo rumo ao consenso sobre as reformas à política agrícola do bloco, que distribui 50 bilhões de dólares anualmente, mas temas espinhosos como as cotas de açúcar permanecem.

Representantes de governos da UE, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia chegaram a um acordo provisório sobre os elementos da complexa reforma à política comum agrícola (CAP, na sigla em inglês) durante o primeiro dia de debates em Luxemburgo.

Os negociadores pretendem chegar a um acordo final no segundo dia da rodada de discussões em Bruxelas, na quarta-feira.

"Em muitos assuntos importantes nós temos um acordo de princípios, mas acho que é muito importante salientar que o acordo não está fechado", disse o ministro da agricultura da Irlanda, Simon Coveney, que representou os governos da UE nas conversas.

Um dos principais objetivos é mudar para subsídios que se baseiem no tamanho das propriedades, substituindo a atual relação entre pagamentos aos produtores e níveis históricos de produção, como ocorre em muitas partes da Europa.

O atual sistema beneficia de maneira desproporcional aqueles que tiveram a maior produção entre 2000 e 2002, como os produtores de grãos em escala industrial na região de Paris.

As maiores fazendas da Europa poderiam perder até 40 por cento dos seus atuais subsídios com as reformas, mas negociadores concordaram em dar aos governos uma opção de estabelecer um limite de 30 por cento nos cortes.

Por outro lado, críticos advertiram que cortar subsídios às maiores e mais eficientes fazendas da Europa poderia afetar a segurança alimentar do bloco.

Autoridades disseram que alguns assuntos complexos ainda permaneciam, incluindo o desacordo sobre um prazo final para abolir as cotas de produção de açúcar na UE, que têm sido responsabilizadas por uma alta nos preços domésticos e por limitar as exportações europeias do produto.

A Comissão propôs um fim para as cotas em 2015, enquanto os governos prefeririam em 2017 e o Parlamento em 2020. Autoridades da UE envolvidas nas negociações disseram que a interrupção em 2017 era a hipótese mais provável mas que a decisão não seria tomada antes de quarta-feira.

(Reportagem de Nigel Hunt e Charlie Dunmore)