25 de Junho de 2013 / às 17:44 / 4 anos atrás

BC vê crédito crecendo mais em 2013, puxado por bancos públicos

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 25 Jun (Reuters) - O Banco Central melhorou sua previsão de expansão do crédito para este ano, impulsionada exclusivamente na expectativa de maiores financiamentos dos bancos públicos e no crédito direcionado com custos subsidiados, movimento que pode pressionar ainda mais a política fiscal.

A estimativa de alta do mercado de crédito brasileiro em 2013 passou a 15 por cento, ante 14 por cento, após crescimento de 16,2 por cento de 2012, informou o BC nesta terça-feira.

De forma desagregada, o BC projetou para este ano alta de 22 por cento do crédito para os bancos públicos, ante estimativa anterior de 18 por cento. Para os bancos privados, a projeção de aumento foi mantida em 10 por cento.

"Não vejo essa melhora da expansão do crédito para 2013 como fator de pressão da inflação, mas como fonte de pressão para expansão fiscal", disse o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

"A decisão do governo de reforçar mais o crédito via bancos públicos acabará rebatendo no Tesouro Nacional, porque ele é, financiador dessas instituições, enquanto os bancos privados não contam com esse suporte", acrescentou o economista.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, disse que a revisão para cima na estimativa de crédito total para este ano foi feita exclusivamente na previsão de maior avanço do crédito direcionado e, em especial, do crédito habitacional, já que a previsão para o crédito livre foi reduzida.

"O crédito imobiliário segue em expansão. Essa taxa já foi superior a 50 por cento, está em 35 por cento, e segue crescendo no âmbito dos programas governamentais e por redução das taxas de juros", afirmou.

Ele citou também a perspectiva de expansão do crédito rural e dos empréstimos ofertados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que possuem juros subsidiados.

De acordo com os dados do BC, os bancos públicos representam 49,4 por cento do saldo do crédito do sistema financeiro nacional.

A estimativa do BC para expansão do crédito direcionado neste ano subiu para 20 por cento, ante previsão anterior de 16 por cento. Em 2012, o crédito direcionado cresceu 20,5 por cento.

Já a previsão para o crescimento do crédito livre foi revisada para 11 por cento em 2013, ante previsão anterior de 13 por cento. Se confirmada, essa expansão também será inferior aos 13,9 por cento do ano passado.

Deste modo, a projeção do crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do BC passou a 56 por cento, ante 55 por cento. Em 2012, ela foi de 53,5 por cento.

JURO E SPREADS EM MAIO

O mercado de crédito brasileiro manteve expansão moderada em maio, ao mesmo tempo em que a inadimplência não cedeu e os spread bancário e as taxas de juros recuaram, apesar do Banco Central ter elevado a taxa básica de juro.

O estoque total de crédito no Brasil aumentou 1,5 por cento em maio ante abril, chegando a 2,486 trilhões de reais, ou 54,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

O BC informou também que a taxa de inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,5 por cento em maio, estável pelo terceiro mês consecutivo, enquanto o spread bancário --diferença entre o custo de captação do banco e o efetivamente cobrado do tomador final-- fechou o mês passado em 17,2 pontos percentuais também neste segmento, ante 17,9 pontos percentuais no mês anterior.

Considerando o crédito total, o spread caiu para 11,2 pontos percentuais, ante 11,7 pontos em abril.

Já a taxa média de juros total no segmento de recursos livres fechou maio em 25,8 por cento ao ano, inferior aos 26,3 por cento verificados em abril. No crédito total, os juros recuaram para 18,1 por cento em maio, ante 18,5 por cento apurada no mês anterior.

Entre os economistas a avaliação é que spread e juros voltaram a subir em junho devido a perspectiva do mercado de juros para uma alta mais acentuada na Selic em julho.

"A queda dos juros e spread em maio frente a abril ocorreu antes de o mercado prever que o BC elevaria a Selic em 0,5 ponto percentual no mês passado, quando o mercado acreditava que o ciclo de contração levaria a taxa para 8,5 ou 8,75 por cento", explicou Eduardo Velho.

"Depois disso, o mercado revisou as projeções e espera agora por uma alta da taxa básica para entre 10, 10,5 e 11 por cento e isso fará os bancos ficarem mais cautelosos na oferta de crédito e certamente aumentará os spreads e juros em junho e nos meses à frente."

Em uma indicação preliminar, o BC informou que até o dia 10 de junho o spread bancário no segmento de recursos livres estava em 17,5 pontos percentuais, 0,3 ponto maior em relação a maio, quando fechou a 17,2 pontos percentuais.

Já a taxa média de juros (com recursos livres) neste mês, também até o dia 10, estava em 26,6 por cento, 0,8 ponto percentual acima do fechamento de maio.

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