Petróleo abaixo de US$100 destaca divisão entre países da Opep

terça-feira, 25 de junho de 2013 15:21 BRT
 

LONDRES, 25 Jun (Reuters) - A queda do petróleo abaixo de 100 dólares por barril favorecida pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) expõe a grande divisão entre os membros do grupo, rachados entre aqueles que conseguem suportar um preço mais baixo e os que são afetados pelas baixas cotações, tornando uma ação coletiva para interromper a queda uma tarefa mais difícil.

O preço do Brent caiu abaixo de 100 dólares esta semana, ante um pico de 119,17 dólares em fevereiro deste ano, pressionado por uma demanda desaquecida e grandes estoques. Embora um preço abaixo de 100 dólares possa ser suportado pela Arábia Saudita, ele colocaria pressão em países com o Irã.

Não há perspectiva imediata de que a Opep venha a diminuir a oferta para elevar os preços, especialmente porque o maior país produtor, a Arábia Saudita --que deveria liderar uma redução na produção--, tem reservas financeiras que a ajudariam a suportar preços entre 80 e 90 dólares por barril.

"Petróleo a 80 dólares causaria preocupação para membros da Opep fora do Golfo Pérsico", disse um delegado sênior da organização, que pediu anonimato. "Mas não haverá resposta rápida por parte dos produtores do Golfo, que acumularam uma reserva financeira nos últimos anos."

Outros, incluindo o Irã, a Venezuela e a Argélia precisam de preços muito mais elevados para atingir suas metas orçamentárias, e são menos capazes de realizar cortes na produção. A crescente divisão sobre o que seriam os preços de equilíbrio para cada país torna uma resposta coordenada mais difícil.

"Conseguir uma disciplina na Opep será muito difícil porque todo mundo agora irá querer que a Arábia Saudita assuma a tarefa (de cortar a produção) por conta própria", disse Olivier Jakob, consultor da Petromatrix, em Zug, na Suíça. "E se a Arábia Saudita não quiser assumir a tarefa sozinha, então terá que deixar os preços caírem ainda mais, para forçar os outros a cortarem."

(Por Alex Lawler e Peg Mackey)