26 de Junho de 2013 / às 13:17 / 4 anos atrás

CENÁRIOS-Varejo perde com alta do dólar, Vale ganha

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de que o dólar se mantenha em patamares mais altos por um período prolongado está levando analistas a preverem pressão sobre varejistas, devido a maiores custos com compra de importados, ao passo que exportadoras como Vale e Embraer devem se beneficiar.

Já pressionadas pelo impacto da inflação mais alta sobe a renda das famílias, as varejistas tendem a ter dificuldades de repassar aos consumidores o aumento dos preços de importados. O dólar subiu mais de 10 por cento desde o início de maio, e fechou na terça-feira cotado a 2,2119 reais.

Em relatório divulgado na quarta-feira, a equipe do BTG Pactual liderada por Fabio Monteiro calculou que, mantidos os preços praticados pelas companhias e com o dólar a 2,30 reais em 2014, os ganhos da fabricante de relógios Technos caíriam 12 por cento, já que 66 por cento dos custos de caixa da companhia são denominados na moeda norte-americana.

Nas mesmas condições, a Le Lis Blanc lucraria 11 por cento menos. Para a Hypermarcas, o recuo seria de 6 por cento nos ganhos. Embora possuam proteção (hedge) para 100 por cento da dívida em dólar, as empresas têm, respectivamente, 30 e 20 por cento dos custos na moeda estrangeira.

Para Marisa e Cia. Hering, que não têm dívida em dólar, o lucro diminuiria 10 e 6 por cento, respectivamente, no ano que vem, segundo os analistas. A Natura deve ser uma das únicas do setor a ganhar com a situação, já que tem 11 por cento das vendas no exterior. Com o real enfraquecido, maiores ganhos com exportações lhe dariam um lucro 8 por cento maior que o inicialmente estimado para 2014.

VALE

Para a equipe de analistas do JP Morgan, a Vale também deve ser ajudada pela desvalorização do real. Os analistas calculam que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da mineradora subirá 1 por cento em 2013 com o dólar a 2,14 reais na média do ano, atingindo 20,1 bilhões de dólares.

“Vemos a Vale como a principal beneficiária de um real mais fraco (entre as companhias de metais na América Latina), sendo sensível a um impacto de aproximadamente 6 por cento no Ebitda a cada depreciação de 10 por cento no real”, disse o banco de investimento, em relatório.

Mais cedo neste mês, o BTG Pactual já havia apontado a Eletrobras como potencial ganhadora neste cenário. No balanço de maiores custos e receitas em dólar da Itaipu Binacional, a companhia sairia no lucro.

É um caso parecido com os de empresas que têm grande parte da receita em dólar, mas apenas uma fatia dos custos na moeda estrangeira, como a fabricante de aviões Embraer e a empresa de programas de fidelidade Multiplus.

Grandes exportadoras também devem ver melhores resultados operacionais, como as empresas de alimentos JBS, Marfrig e BRF, além das companhias de celulose Suzano e Fibria, as empresas de agronegócios SLC e Tereos, e a siderúrgica Usiminas.

QUEM PERDE

Para os analistas, a Petrobras será uma das maiores perdedoras. “Com cerca de 40 por cento das suas vendas não automaticamente ajustada às mudanças do câmbio, a Petrobras deve perder com o real mais fraco, pelo menos no curto prazo”, afirmou o BTG Pactual, no mesmo relatório.

Para o JP Morgan, Sabesp e Cesp são as empresas com pior exposição à depreciação cambial entre as concessionárias de serviços públicos. Nos cálculos dos analistas do banco, as duas empresas teriam lucro por ação de 40 a 50 por cento menor em 2013, ante consenso dos analistas para o ano, se o dólar chegar a 2,50 reais no fim do ano.

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