UE tenta proteger contribuintes de novos pacotes de ajuda a bancos

quarta-feira, 26 de junho de 2013 14:13 BRT
 

BRUXELAS, 26 Jun (Reuters) - A União Europeia vai tentar nesta quarta-feira resolver uma disputa franco-germânica sobre compartilhar custos de futuros colapsos de bancos para evitar que contribuintes tenham que financiar novos planos de resgate de instituições financeiras.

Ministros de Finanças dos 27 países-membros do bloco vão começar o que provavelmente serão duras negociações em Luxemburgo depois que as discussões na semana passada foram suspensas sem que Paris e Berlim chegassem a um acordo.

França e Alemanha estão divididas sobre quanta reserva os governos deveriam ter quando aplicarem novas regras da UE que estipulam que acionistas de bancos, detentores de bônus e depositantes com mais de 100 mil euros devem ajudar se houver um colapso.

Contribuintes em grande parte da Europa tiveram que financiar uma série de grandes e impopulares resgates de bancos desde o surgimento da crise financeira em 2008. Autoridades desde então têm buscado um novo modelo e um pacote de socorro para o Chipre no início deste ano incluiu forçar pela primeira vez os depositantes a financiar parte do resgate de um banco.

Apesar de não haver prazo para um acordo, os ministros de Finanças estão reunidos na véspera de uma cúpula de líderes da UE em Bruxelas e estão pressionados para mostrarem que estão lidando com a crise bancária e de dívida pública da Europa.

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pediu ação urgente para uma reforma, incluindo uma "união bancária" capaz de supervisionar e apoiar os bancos da zona do euro. Tal união precisa que regras sobre colapsos de instituições financeiras estejam em vigor.

"Não acho que precisamos reinventar a roda", disse Draghi ao parlamento francês. Ele pareceu estar voltado à posição da Alemanha, argumentando contra dar aos países muita autonomia para decidir como distribuir as perdas quando um banco vai à falência.

"A experiência dos Estados Unidos é de que não deve haver flexibilidade e que o dinheiro público está sendo usado em circunstâncias expectionais e quando há risco sistêmico", afirmou.

A Alemanha teme que as novas regras sobre o compartilhamento de futuras perdas entre detentores de bônus e correntistas ricos sejam enfraquecidas, deixando a maior economia da Europa sob risco de encarar bilhões de euros em dívidas bancárias de outros países na zona do euro.

A UE gastou o equivalente a um terço de sua produção econômica para salvar bancos entre 2008 e 2011, usando recursos de contribuintes e enfrentando dificuldades para conter a crise, que no caso da Irlanda quase levou o país ao colapso.

(Por John O'Donnell e Robin Emmott)