Ouro deve registrar maior queda trimestral já observada

quarta-feira, 26 de junho de 2013 15:12 BRT
 

LONDRES, 26 Jun (Reuters) - Os preços do ouro recuaram para seu menor patamar em quase três anos nesta quarta-feira, a caminho de registrar uma perda trimestral recorde, com dados econômicos dos Estados Unidos aumentando temores de que o Banco Central do país irá em breve suspender uma política monetária de estímulo.

Os preços poderiam recuar ainda mais --segundo alguns investidores para abaixo de mil dólares por onça-- enquanto ainda parece pouco provável que dados, tendências de mercado ou acontecimentos econômicos nos EUA ou na Europa consigam reverter o forte êxodo dos investidores do ouro.

O ouro no mercado "spot" caiu para seu menor patamar desde agosto de 2010, a 1.223,54 dólares por onça, e por volta das 11h (horário de Brasília) operava a cerca de 1.236 dólares. Os futuros do ouro nos EUA para entrega em agosto, por sua vez, perdiam 2,9 por cento e eram negociados a 1.237 dólares, tendo atingido a mínima de 1.223,20 dólares por onça.

Fortes ganhos em pedidos dos EUA por bens duráveis, a maior alta anual dos preços de casas em sete anos e um aumento da confiança dos consumidores alimentaram especulações de que o Fed irá gradualmente reduzir seu programa mensal de 85 bilhões de dólares de compras de títulos, que ajudou a elevar os preços do ouro a níveis recordes nos últimos anos.

"Nós comprávamos ouro por duas razões: porque nós estávamos preocupados com o impacto inflacionário da política e porque pensamos que o sistema financeiro iria desmoronar", disse Sean Corrigan, estrategista-chefe de investimentos da Diapason Commodities Gestão.

"Embora possa ser um julgamento completamente errado, o mercado decidiu que, no momento, nenhum deles é uma preocupação."

Os preços spot caíram mais de um quarto deste ano e em 22,8 por cento neste trimestre, maior perda trimestral desde o início dos registros da Reuters em 1968.

"O ouro normalmente sempre superou, pelo menos, outras commodities: quando tivemos estresse financeiro, quando a volatilidade aumenta, quando os spreads de crédito sobem, e está evidente que isso não vão acontecer agora", disse Corrigan.

(Reportagem de Jan Harvey)