27 de Junho de 2013 / às 12:48 / 4 anos atrás

Brasil vai crescer abaixo de 3% em 2013 e inflação será maior, diz BC

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 27 Jun (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a economia brasileira crescendo menos, o Banco Central piorou seus cenários de inflação para este e o próximo ano, citando também riscos trazidos pelo dólar mais elevado e reforçando o discurso duro contra a alta dos preços que levou ao ciclo de aperto monetário em andamento.

Para este ano, o BC prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2,7 por cento, ante 3,1 por cento estimados até então, mesmo desempenho visto em 2011, primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. No ano passado, o PIB cresceu apenas 0,9 por cento.

A previsão do BC para este ano ainda é melhor do que a colhida na pesquisa Focus, que aponta expansão de 2,46 por cento.

O BC argumenta que os indicadores de atividades já vistos no segundo trimestre sugerem continuidade da recuperação, como a retomada da indústria e a manutenção da expansão do consumo das famílias, apesar da estimativa de crescimento para esta variável ter recuado a 2,6 por cento, ante 3,5 por cento.

A inflação elevada tem afetado a demanda dos consumidores, uma vez que afeta o poder de compra da população.

E a perspectiva para a inflação piorou na visão do BC. Segundo o relatório, o IPCA ficará em 6,0 por cento neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 5,7 por cento, e em 5,4 por cento em 2014, ligeiramente acima da estimativa anterior, de 5,3 por cento.

O indicador voltará a estourar o teto da meta do governo no segundo trimestre deste ano no acumulado em 12 meses, chegando a 6,8 por cento, recuando a 6,2 por cento no terceiro trimestre e a 6 por cento no quarto trimestre.

A meta de inflação é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais. Para o BC, as chances de o IPCA estourar o teto neste ano é de 29 por cento.

O Banco Central destacou que a maior volatilidade e “tendência de apreciação” do dólar são riscos considerados, mas defendeu que na última década o repasse da depreciação cambial para a inflação diminuiu.

“Além disso, esse repasse tende a ser suavizado pelo ciclo de ajuste da política monetária ora em curso”, trouxe o relatório, acrescentando que a inflação em 12 meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo é desfavorável.

O dólar, até a véspera, acumulava alta de 2 por cento ante o real no mês, mas chegou a subir mais de 5 por cento no mês em seu pior momento, quando ultrapassou o patamar de 2,25 reais, sob a expectativa de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa reduzir seu programa de estímulos e, consequentemente, diminuir a liquidez internacional.

DÚVIDAS

Apesar de o BC repetir no relatório o tom forte de combate à inflação adotado nas últimas semanas, ainda não há consenso sobre a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) acentuar ainda mais o aperto monetário em julho, quando se reúne novamente.

“O relatório confirma a postura mais ‘howkish’ da autoridade monetária”, afirmou em nota o economista-chefe da banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem manter o ritmo de alta de 0,50 ponto percentual “é o mais provável”, mas um eventual ajuste de 0,75 ponto não pode ser descartado.

O BC iniciou novo ciclo de aperto monetário em abril passado, quando tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para 7,50 por cento, mas acelerou o passo em maio e já elevou a taxa básica de juros ao atual patamar de 8 por cento, informando que agira de maneira tempestiva.

O IPCA de maio, em 12 meses, estava exatamente no teto da meta do governo.

“O que eles têm que fazer é acelerar o ritmo (de aperto monetário), mais continuo com dúvidas que eles vão fazer mais”, afirmou o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. “A inflação pode ser ainda mais alta do que estas estimativas, dado o câmbio.”

Já no mercado futuro de juros, a maioria das apostas, ainda que não com grande margem, é de que a Selic será elevada em 0,75 por cento agora, mantendo praticamente o mesmo patamar visto há alguns dias. Nesta sessão, o mercado não estava reagindo ao relatório do BC por considerarem que não trouxe grandes novidades, mantendo o tom já dado antes.

Reportagem adicional de Alonso Soto, em Brasília

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