CENÁRIOS-Captações de empresas devem ficar em compasso de espera até setembro

quinta-feira, 27 de junho de 2013 12:04 BRT
 

Por Natalia Gómez

SÃO PAULO, 27 Jun (Reuters) - O mercado de capitais deve ficar congelado para empresas brasileiras pelo menos até setembro, em meio às incertezas sobre o futuro da política monetária norte-americana que anteciparam o tradicional recesso de verão no Hemisfério Norte.

Prejudicadas também pelo cenário macroeconômico adverso do país --inflação alta, fraco crescimento do PIB e dólar valorizado--, grifes como Votorantim Cimentos, Azul, BNDESPar e Odebrecht estão engavetando seus programas de captação em títulos e ações.

Outras companhias tendem a seguir o mesmo caminho, disseram analistas e observadores do mercado, apesar da CPFL Renováveis ter divulgado nesta quinta-feira termos de um IPO que pode movimentar cerca de 1,5 bilhão de reais em julho.

De acordo com o executivo-sênior de global banking do HSBC, Paulo Cesar Souza, os investidores não querem correr risco de pagar caro por papéis de mercados emergentes enquanto os títulos do governo dos EUA, de menor risco, podem ficar mais atrativos. "A liquidez está empoçada", disse.

Além disso, as empresas não têm tanta urgência para captar agora quanto tinham durante a crise financeira de 2008, que pegou muitas companhias altamente endividadas.

A expectativa de alta dos juros nos EUA dificultou a precificação das ofertas oriundas de países emergentes, incluindo as brasileiras, levando a uma reavaliação dos preços das operações neste cenário, disse Souza.

A turbulência política causada pelas manifestações em todo o Brasil ajudou a deixar o investidor ainda mais cauteloso, assim como a decisão da Standard & Poor's, no início do mês, de colocar o rating da dívida brasileira em perspectiva negativa.

O principal índice da Bovespa, medida do cenário mais adverso, acumula queda de quase 12 por cento em junho até a véspera.   Continuação...