Estratégia da Petrobras espreme margens de empresas de serviços

quinta-feira, 27 de junho de 2013 13:53 BRT
 

Por Stephen Eisenhammer

LONDRES, 27 Jun (Reuters) - O tamanho das reservas de petróleo na costa brasileira deveria estar trazendo bons negócios para as empresas de serviços e equipamentos, mas as táticas de negociação da Petrobras, que domina o setor no país, somadas às demandas do governo brasileiro, têm espremido as margens da indústria.

As empresas de serviços de petróleo --fornecedores de itens que variam desde sondas a equipes de engenheiros-- dizem que questões no Brasil devem contribuir para uma série de decepções em relação aos ganhos. A tendência foi reforçada nesta quinta-feira, com a norueguesa Subsea 7 avisando que vai reduzir sua previsão de lucro para 2013 devido a excessos de custo em seu projeto no Brasil.

"Certamente o Brasil, para muitos players neste ano, rendeu menos do que esperava-se", disse à Reuters o sócio do fundo de capital privado de serviços de petróleo Epi-V, Glynn Williams.

Há dificuldades específicas para se fazer negócios no Brasil, disse o diretor-executivo da Subsea 7, Jean Cahuzac, ao explicar o aumento de 250 a 300 milhões de dólares nos custos de seu projeto Guará-Lula, no pré-sal brasileiro.

"É parcialmente por conta do projeto, mas em grande parte é devido ao ambiente brasileiro", disse ele. "É mais difícil trabalhar no Brasil, é uma situação mais complexa por causa do conteúdo local, a administração... os impostos."

Ainda assim, o tamanho das ambições brasileiras para seu petróleo e gás offshore fazem do país um lugar difícil de ser ignorado pelos prestadores de serviços internacionais.

A gigantesca descoberta na camada pré-sal em 2006, onde a Petrobras é a principal operadora, causou uma corrida à maior economia da América Latina por parte de empresas de serviços de petróleo, que auxiliam as petroleiras com experiência e equipamento que permitem a exploração e o desenvolvimento dos campos.

Cerca de 27 por cento de todos os poços profundos e ultraprofundos perfurados nos últimos dois anos foram no Brasil, segundo dados da companhia de pesquisa IHS.   Continuação...