BC vê mais inflação em 2013; mercado diverge sobre alta maior do juro

quinta-feira, 27 de junho de 2013 16:34 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 27 Jun (Reuters) - O Banco Central manteve seu duro discurso de combate à inflação nesta quinta-feira e indicou que dará continuidade ao ciclo de aperto monetário, mas agentes econômicos seguem sem consenso sobre se virão altas maiores do juro básico ou se o ritmo atual será mantido.

Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado logo cedo, o BC indicou que vê a economia brasileira crescendo menos em 2013 e piorou seus cenários de inflação para este e o próximo ano, citando também riscos trazidos pelo dólar mais elevado e repetindo que continuará "especialmente vigilante" na condução da política monetária.

Para o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn, o relatório do BC indica que a autoridade monetária avalia que altas adicionais do juro são necessárias, mas que não há "pressa excessiva no ciclo de aperto, já que as previsões apontam para a estabilização da inflação numa perspectiva de médio prazo, embora ainda acima da meta".

Para este ano, o BC prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2,7 por cento, abaixo dos 3,1 por cento estimados anteriormente e mesmo desempenho visto em 2011, primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff. Em 2012, a economia doméstica teve expansão de apenas 0,9 por cento.

A previsão do BC para este ano ainda é melhor do que a colhida na pesquisa Focus, que aponta alta de 2,46 por cento do PIB em 2013.

O BC argumenta que os indicadores de atividade já vistos no segundo trimestre sugerem continuidade da recuperação, como a retomada da indústria e a manutenção da expansão do consumo das famílias, apesar da estimativa de alta para esta variável ter sido reduzida a 2,6 por cento, ante 3,5 por cento.

A inflação elevada tem afetado a demanda dos consumidores, uma vez que atinge o poder de compra da população.

No relatório, o BC piorou suas expectativas e trabalha agora com IPCA de 6 por cento no fechado de 2013 no cenário de referência --que considera Selic estável no patamar de 8 por cento ao ano--, ante previsão anterior de 5,7 por cento. Para 2014, o IPCA deve ficar em 5,4 por cento, ligeiramente acima da estimativa anterior de 5,3 por cento.   Continuação...