28 de Junho de 2013 / às 21:34 / 4 anos atrás

Taxa de retorno do trem-bala deve ficar em 7%, diz fonte

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA, 28 Jun (Reuters) - O governo decidiu elevar a taxa interna de retorno (TIR) do trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro de 6,32 para 7 por cento, informou à Reuters nesta sexta-feira uma fonte do Ministério da Fazenda, em mais uma tentativa de aumentar a atratividade da concessão.

Apesar de maior que a previsão na minuta do edital do empreendimento, lançada em dezembro passado, a taxa ficou abaixo da expectativa da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que esperava uma TIR ao redor de 8 por cento.

Segundo a fonte da Fazenda, que falou sob condição de anonimato, o retorno do capital próprio a ser investido pelo futuro concessionário será quase o dobro da TIR, atingindo estimados 13,6 por cento. O governo deve manter a taxa de alavancagem do projeto em 70 por cento.

Na quarta-feira, uma outra fonte do governo tinha dito à Reuters que a taxa de retorno do trem-bala seria superior às de rodovias e ferrovias, devido aos maiores riscos embutidos no projeto. Isso acabou não se confirmando, já que a taxa definida pela Fazenda é inferior aos 7,2 por cento já anunciados para a concessão das rodovias BR-050 e BR-262.

O raciocínio que prevaleceu no cálculo da taxa foi que a operação do trem --que será objeto da primeira licitação-- envolve menos riscos para o concessionário do que a construção e a engenharia do trem-bala.

Segundo o representante de um dos países interessados na licitação do trem-bala brasileiro, a TIR de 7 por cento "não é ótima", mas "dá para trabalhar com essa taxa".

A ideia do governo é fazer o leilão para escolher a tecnologia e o operador do trem-bala até 19 de setembro.

IDAS E VINDAS

A concessão do trem-bala acumula seguidos adiamentos e mudanças de modelo desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi anunciado pela primeira vez.

Pelo seu alto custo, estimado em 33 bilhões de reais, e elevado risco, o projeto acabou exigindo uma maior participação do governo no projeto, que será sócio da concessão por meio da EPL, com participação de 45 por cento, ante os 30 por cento previstos inicialmente.

O modelo do leilão foi totalmente reformulado em 2011, após o governo ter aberto o processo de licitação sem nenhuma empresa demonstrar interesse.

Decidiu-se, então, dividir o projeto em duas fases: a concessão da operação do serviço e a escolha de empreiteiras para construir a via, com o governo agindo como um garantidor da viabilidade da obra civil.

Além dos desafios para licitar o trem-bala, o governo vem enfrentando obstáculos para levar adiante leilões de rodovias e ferrovias, parte de um plano lançado pela presidente Dilma Rousseff no segundo semestre de 2012 para melhorar a logística do país, um dos maiores gargalos para o crescimento econômico.

Após críticas do setor privado, o governo teve de elevar o retorno dos investidores nos projetos. Nas rodovias, a TIR passou de 5,5 por cento para 7,2 por cento. As ferrovias de carga também deverão ter um aumento da taxa, de 6,5 por cento para algo entre 7 e 7,5 por cento.

Reportagem adicional de Alonso Soto

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