1 de Julho de 2013 / às 18:28 / 4 anos atrás

Brasil tem déficit comercial de US$ 3 bi no semestre, pior em 18 anos

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 1 Jul (Reuters) - Exportações em queda e importações mais robustas fizeram a balança comercial brasileira fechar o primeiro semestre com déficit de 3 bilhões de dólares, pior desempenho em quase 20 anos, resultado que coloca em xeque o equilíbrio das contas externas brasileiras.

As importações brasileiras atingiram a cifra recorde de 117,516 bilhões de dólares entre janeiro e junho passado, 8,4 por cento a mais do que em igual período de 2012, pela média diária, informou nesta segunda-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Já as exportações somaram 114,516 bilhões de dólares no período, queda de 0,7 por cento pela média diária. Com isso, o resultado comercial do semestre passado foi o pior para o período desde 1995, quando o déficit ficou em 4,227 bilhões de dólares. No primeiro semestre do ano passado, o Brasil registrou superávit de 7 bilhões de dólares.

"O cenário para a balança comercial não é bom. A crise no mundo afeta as exportações de manufaturados e o preço das commodities. Diante das incertezas, até o momento a nossa projeção para 2013 oscila entre um déficit de 5 bilhões de dólares ou um superávit de 5 bilhões de dólares", comentou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.

O resultado ruim da balança comercial nos primeiros meses do ano levou recentemente o Banco Central a projetar superávit comercial de 7 bilhões de dólares, menos da metade do superávit de 15 bilhões de dólares previsto anteriormente.

No primeiro semestre, o destaque ficou para a conta petróleo, com déficit de 12 bilhões de dólares, um dos principais fatores do elevado déficit da balança no período.

Em junho, especificamente, o saldo de 2,394 bilhões de dólares --acima do esperado pela mediana dos especialistas consultados pela Reuters, com projeção de superávit de 2,05 bilhões de dólares-- foi influenciado positivamente pela exportação de uma plataforma de petróleo no valor de 1,6 bilhão de dólares.

No mês passado, as exportações somaram 21,227 bilhões de dólares, alta de 9,7 por cento, pela média diária das operações, frente a junho de 2012, influenciadas pelo aumento dos embarques de produtos básicos e manufaturados.

As importações atingiram em junho 18,833 bilhões de dólares, com aumento, pela média diária, de 1,5 por cento frente a igual mês do ano passado, devido a maiores compras no exterior de bens de capital, matérias-primas e bens de consumo. Já as aquisições de petróleo e derivados recuaram 39 por cento no período.

Apesar do resultado negativo no semestre, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, disse que a tendência é que a balança comercial mostre resultados positivos daqui para frente.

"O déficit no primeiro semestre é explicado basicamente pelo déficit na conta petróleo, a balança apresenta recuperação nos últimos dois meses, há uma tendência de reversão desse déficit e expectativa de superávit ao final de 2013", disse a secretária.

A avaliação é ancorada na expectativa de maiores exportações de petróleo, de produtos manufaturados --incluindo aviões que possuem elevado valor-- nos próximos meses e pelo menor ritmo de expansão das importações. A secretária, contudo, não divulgou a expectativa do governo para a balança comercial no ano.

A recente valorização do dólar, que subiu 10,4 por cento ante o real no segundo trimestre, deve melhorar a rentabilidade das exportações, mas o benefício não será sentido por todos os setores, já que alguns segmentos dependem de importações para efetuar as venda externas, disse a secretária. Na sua avaliação, o maior ímpeto pela busca de mercados externos por parte dos exportadores dependerá do nível em que divisa norte-americana se estabilizar.

Mesmo com a melhora do desempenho nos últimos dois meses e com a expectativa, por parte do governo, de certa melhora no segundo semestre, a balança comercial deve apresentar em 2013 um dos piores resultados dos últimos anos.

Entre os fatores que pesam negativamente sobre as exportações constam o comércio internacional enfraquecido, a desvalorização das commodities, o impacto negativo do registro neste ano de importações de gasolina feitas pela Petrobras em 2012 e o maior consumo interno de petróleo e derivados, que reduz as vendas desses itens para o exterior.

O desempenho fraco da balança impacta diretamente o balanço de pagamentos do país, aprofundando o déficit das transações correntes que, em maio, ficou em 6,420 bilhões de dólares. Não por menos, o BC elevou a 75 bilhões de dólares a projeção para o déficit em conta corrente deste ano, ante previsão anterior de 67 bilhões de dólares.

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