Alta do dólar ante o real no 2o tri deve ter impacto limitado no setor elétrico

segunda-feira, 1 de julho de 2013 16:35 BRT
 

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - A alta de 10,4 por cento do dólar ante o real no segundo trimestre deve ter impacto limitado para as distribuidoras de energia e seus consumidores, apesar do aumento do custo da energia de Itaipu, cotada na moeda estrangeira, avaliam especialistas do setor.

A energia cotada em dólar dentro do mix do sistema elétrico brasileiro é de cerca de 10 por cento. Assim, um aumento de 10 por cento no dólar elevaria em cerca de 1 por cento a tarifa, disse o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite.

O aumento do dólar na tarifa de Itaipu é arcado imediatamente pelas distribuidoras e depois é repassado para a tarifa dos consumidores nos reajustes tarifários.

"Itaipu dá mais ou menos uns 10 por cento da energia do Brasil. Pode até concentrar mais em algumas empresas do Sul e do Sudeste. Mas o impacto do custo das térmicas é muito maior", disse ele, ao se referir ao impacto futuro na tarifa de energia, quando ocorrerem os reajustes.

A Copel, empresa de energia paranaense, foi uma das primeiras entre as grandes concessionárias de distribuição de energia a ter considerado em seu reajuste tarifário o repasse da alta dólar recente ao consumidor.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerou um aumento de 12,64 por cento no custo referente à Itaipu, o que elevou em 1,36 ponto percentual o reajuste tarifário anual permitido para a Copel, a 14,6 por cento.

O aumento --que está congelado pelo governo do Paraná, acionista controlador da companhia-- está muito mais relacionado ao custo da geração térmica, que teve um impacto de 8 pontos percentuais no índice final, que à alta do dólar.

O coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, o efeito da variação cambial para as distribuidoras também é pequeno considerando os gastos maiores com geração termelétrica.

"O dólar tem um peso pequeno e ele não dispara, não pode disparar, até por outras razões mais importantes", disse. Ele disse que, mesmo para as distribuidoras do Sudeste, a quantidade de energia comprada de Itaipu não chega a mais de 18 por cento do total.   Continuação...