Cenário interno leva ações de construtoras a perder até metade do valor em 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013 17:32 BRT
 

SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) - Empresas brasileiras de construção civil perderem até metade de seu valor de mercado no primeiro semestre do ano, em meio ao fraco crescimento econômico do país, alta dos juros e investidores mais avessos a risco.

Brookfield e MRV puxaram a fila, com quedas de 56 por cento e 44 por cento, respectivamente. A seguir vieram Gafisa, com queda de 39 por cento, seguida por PDG Realty e Rossi, com quedas de 36 por cento. No mesmo período, o índice acionário brasileiro de referência, o Ibovespa, caiu 22,5 por cento.

Para analistas, o desempenho das ações reflete um misto de fatores conjunturais e específicos de cada empresa. A incorporadora Brookfield, por exemplo, fez dois ajustes de orçamento e ainda sofreu os efeitos de adequação a novas regras contábeis, avaliou a consultoria Lopes Filho.

A Gafisa vendeu o controle da Alphaville para a Blackstone e para o Pátria Investimentos, por 2,01 bilhões de reais em junho, em uma tentativa de animar o investidor com a redução do seu endividamento, mas não conseguiu. E ainda deixou alguns com a impressão de que pode não ter feito a escolha certa.

"Apesar de a operação ser vantajosa para a Gafisa pelo valor acordado, no longo prazo a venda deve resultar em menores margens, visto que a Alphaville era responsável pelos empreendimentos mais rentáveis da companhia", afirmou a Lopes Filho, em relatório. Somente no mês de junho, o valor da ação da Gafisa caiu 25,5 por cento na Bovespa.

O cenário macro, que tem castigado todos os setores da bolsa, tende a pressionar com mais força empresas ligadas à economia doméstica, como construtoras e varejistas.

A última pesquisa Focus publicada nesta segunda-feira mostrou expectativa de crescimento menor do PIB neste e no próximo ano, elevação maior da taxa básica de juros e inflação mais alta.

Na visão do Morgan Stanley, apenas a Cyrela estaria posicionada para ganhar no atual cenário. A ação da companhia caiu 11,8 por cento no primeiro semestre, a perda mais suave no setor.

O banco reiterou a recomendação de compra para a ação da empresa em relatório divulgado nesta segunda-feira, elegendo a Cyrela como única construtora com liquidez em bolsa a entregar retornos acima dos custos de capital, situação que ainda não teria sido refletida no preço dos papéis da empresa.

"A Cyrela foi arrastada junto com seus pares em junho, mas achamos que ela deveria ser dissociada destas empresas por ter melhor balanço e melhores retornos", disseram os analistas do Morgan Stanley, que estipularam preço-alvo de 20 reais para as ações da empresa. Às 17h16, a ação da Cyrela operava em alta de 3,91 por cento, a 15,94 reais.

(Por Marcela Ayres, com reportagem adicional de Danielle Assalve; edição de Aluísio Alves e Raquel Stenzel)