Produção industrial cai 2% em maio, puxada por bens de capital

terça-feira, 2 de julho de 2013 13:43 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 2 Jul (Reuters) - A produção industrial brasileira caiu 2,0 por cento em maio frente a abril, em um resultado pior do que o esperado e sofrendo especialmente com a queda nos bens de capital, o que esfria as expectativas de uma recuperação mais sólida do setor.

O resultado mensal divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira foi o pior desde fevereiro, quando a produção caiu 2,3 por cento, e elimina parte da expansão de 2,6 por cento acumulada nos meses de março e abril.

"Há um comportamento de maior volatilidade este ano. A variável nova é a componente dos estoques acumulados. Há um aumento no nível de estoque e isso pode estar na base da redução de ritmo em maio", explicou o economista do IBGE André Macedo.

Segundo ele, além dos estoques maiores, ocorreram também mais importações, mas como a demanda não está acompanhando no mesmo ritmo isso contribui para acumulação de estoques e para "a industria segurar seu ritmo".

O IBGE informou ainda que, na comparação com maio de 2012, a produção teve expansão de 1,4 por cento, também abaixo do esperado. A indústria opera no momento 3,8 por cento abaixo do patamar recorde observado há 2 anos, em maio de 2011.

Pesquisa da Reuters mostrou expectativa de queda de 1,0 por cento na comparação mensal e de avanço de 2,5 por cento ante maio de 2012.

"Fica mais difícil acreditar na consistência de recuperação. (O resultado da produção) elimina a chance de ter um número bastante robusto que pudesse levar a dizer que, no segundo trimestre, o PIB industrial ajudaria o PIB a crescer", disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment, Jankiel Santos.

BENS DE CAPITAL   Continuação...

 
Operário trabalha em linha de montagem da marca sueca de caminhões Scania, em São Bernardo do Campo. A produção industrial brasileira caiu 2,0 por cento em maio frente a abril, pior do que o esperado e interrompendo dois meses seguidos de alta, com queda generalizada entre as categorias de uso, em especial bens de capital, e esfriando as expectativas de uma recuperação mais sólida do setor. 15/09/2010. REUTERS/Paulo Whitaker