Fusões e aquisições registram menor atividade em oito anos

terça-feira, 2 de julho de 2013 10:50 BRT
 

Por Natalia Gómez e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 2 Jul(Reuters) - O volume de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras encolheu no primeiro semestre ao menor nível dos últimos oito anos, em meio à fraca atividade econômica e à volatilidade do mercado de capitais, que dificultam acordos entre vendedores e compradores sobre os preços dos ativos.

De janeiro a junho, o volume financeiro envolvido em compra e venda de participações de empresas do país somou 20,4 bilhões de dólares, menos da metade dos 45 bilhões de dólares registrados no mesmo período de 2012, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira pela Thomson Reuters.

É o valor mais baixo desde que foram registrados 11,4 bilhões de dólares em acordos num primeiro semestre em oito anos. O número de transações também teve forte queda, passando de 453 para 279, nas comparações semestrais.

O principal entrave para a conclusão de operações de compra e venda de empresas está na falta de acordo sobre os preços dos ativos, na visão dos diretores de grandes bancos.

"Quando o mercado está mais difícil, o comprador ajusta o preço para baixo imediatamente, mas o vendedor leva mais tempo para aceitar valores menores", diz o diretor do Itaú BBA, banco de investimentos do Itaú Unibanco, Fernando Iunes. Esta assimetria tem prolongado as negociações, segundo ele.

Este descasamento também foi citado como principal motivo para a retração do mercado pelo diretor do Bradesco BBI, Renato Ejnisman. "O comprador tende a colocar preços menos agressivos em momentos de incerteza", disse.

Segundo disse recentemente à Reuters o presidente do Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira, o cenário global se tornou um ruído que está levando potenciais compradores e possíveis alvos de aquisição a hesitarem.

O banco suíço foi o primeiro colocado no ranking de fusões e aquisições da Thomson Reuters, com negócios fechados no valor de 8,09 bilhões. O Credit Suisse assessorou a Marfrig na venda da Seara, divisão de aves, suínos e alimentos processados, para a JBS, por 2,7 bilhões de dólares no mês passado.   Continuação...