Dólar sobe quase 1% e volta a R$2,25, com sinais ruins da economia

terça-feira, 2 de julho de 2013 17:08 BRT
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 2 Jul (Reuters) - O dólar fechou com alta ante o real de quase 1 por cento nesta terça-feira, voltando ao patamar de 2,25 reais, com os sinais de fraqueza da indústria brasileira, que alimenta o temor de saída de investidores do mercado local, e também com o mau humor externo.

A forte queda da produção industrial brasileira em maio, que coloca em dúvida a recuperação da atividade econômica, tornou-se a catalisadora da valorização do dólar desde o início da sessão, movimento que ganhou força nas últimas horas do pregão pelas forte quedas na Bovespa.

O dólar fechou em alta de 0,84 por cento, cotado a 2,2501 reais na venda, depois de chegar a 2,2543 reais na máxima do dia. O volume negociado no mercado, segundo dados da BM&F, estava em torno de 2,1 bilhões de dólares.

"O dólar está acompanhando o movimento internacional, mas foi exagerado pelo mau humor na Bovespa", afirmou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

O IBovespa chegou a recuar quase 5 por cento nesta segunda-feira, tragado pelo amplo movimento de vendas generalizadas, com as empresas "X", do empresário Eike Batista, liderando as perdas.

O nervosismo do mercado apareceu logo no início da sessão, após a divulgação de que a produção industrial no país despencou 2 por cento em maio, bem abaixo das expectativas de analistas, puxada pelo tombo no segmento de bens de capital --uma leitura indicativa de investimentos.

"Os números da produção industrial não favoreceram e o mercado ficou um pouco nervoso. Esse resultado está mostrando que estamos em um novo patamar de PIB: o pibinho. E isso volta a pressionar o câmbio", afirmou o superintendente de câmbio da Intercam, Jaime Ferreira.

A valorização da moeda estrangeira deixou operadores apreensivos durante todo o pregão em relação a uma possível atuação do Banco Central para tentar limitar a alta, o que acabou não se acontecendo. "É muito estranho o BC estar quieto", resumiu o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.   Continuação...