Crise política se agrava em Portugal

quarta-feira, 3 de julho de 2013 09:56 BRT
 

Por Andrei Khalip

LISBOA, 3 Jul (Reuters) - Mais dois ministros portugueses de um partido minoritário da coalizão estavam prontos para renunciar nesta quarta-feira, disse a imprensa local, agravando uma crise que pode levar a eleições antecipadas e atrapalhar a retirada do país do programa de resgate da UE/FMI.

Vários meios de comunicação noticiaram que os ministros da Agricultura, Assunção Cristas, e da Previdência Social, Pedro Mota Soares, acompanharão o líder do partido CDS-PP, Paulo Portas, que renunciou na terça-feira ao cargo de chanceler. A comissão executiva do partido estava reunida e, por isso, não pôde se pronunciar.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse ao país na noite de terça-feira que não aceitou a renúncia de Portas e que continuará comandando o governo para garantir a estabilidade política e o trabalho de superar o impasse. Muitos comentaristas descreveram a situação como "absurda".

Sem solução iminente, ações e rendimentos de títulos portugueses despencaram. O juro pago a investidores pelo título da dívida com vencimento em dez anos superou 8,1 por cento pela primeira vez desde novembro, e o índice mercantil PSI 20 caiu 6 por cento, puxado pelas fortes baixas de mais de 10 por cento nos papéis dos bancos.

A decisão de Coelho de rejeitar a renúncia do seu chanceler deixa sobre Portas a responsabilidade pela sobrevivência do governo. Se Portas retirar o direitista CDS-PP da coalizão, o governo ficará sem maioria.

"Uma coisa é certa: o primeiro-ministro fará de tudo para ficar, dando todas as concessões possíveis a Portas", disse o cientista político António Costa Pinto. "Se isso fracassar, porém, dificilmente poderemos evitar uma eleição antecipada."

Portugal está submetido a rigorosas condições orçamentárias impostas por um resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. O país tinha a esperança de voltar aos mercados normais de títulos públicos, mas a continuidade das medidas de austeridade agora coloca isso em dúvida.

"Vemos eleições antecipadas como o resultado mais provável a esta altura, embora não possamos descartar completamente o apoio de alguns parlamentares do CDS e a continuidade do governo", disse em nota o economista António Garcia Pascual, do Barclay's, atribuindo a renúncia de Portas à crescente impopularidade da coalizão governista.   Continuação...

 
Primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, faz um pronunciamento no Palácio São Bento, em Lisboa. Mais dois ministros portugueses de um partido minoritário da coalizão estavam prontos para renunciar nesta quarta-feira, disse a imprensa local, agravando uma crise que pode levar a eleições antecipadas e atrapalhar a retirada do país do programa de resgate da UE/FMI. 2/06/2013. REUTERS/Rafael Marchante