ESPECIAL-Negociações fundiárias atrasam linhas de transmissão em SP

quarta-feira, 3 de julho de 2013 10:43 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - Altas indenizações cobradas por proprietários de terras para passagem de linhas de transmissão estão atrasando projetos para aumentar o envio de energia para São Paulo, incluindo a produzida nas usinas do rio Madeira, colocando em risco a capacidade de escoamento de energia para o Estado.

O impasse entre donos de terra e empreendedores no Estado, somado aos problemas com a obtenção de licenciamento ambiental, dificulta a viabilização de projetos já licitados e contribui para a diminuição do interesse em novas concessões, como ocorreu no último leilão de transmissão, disseram empresas do setor e autoridades governamentais

"O pessoal está supervalorizando e querendo valores muito altos de indenização. Então o tempo de negociação com os donos da terra tem demorado muito...Isso não era normal, é um fato novo", disse o diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Carlos de Miranda Farias.

Segundo Farias, essa situação coloca em risco o abastecimento de São Paulo, região que está em constante crescimento e precisa de reforços no sistema de transmissão.

Cultivos altos ou sujeitos a queimadas não são viáveis no corredor de passagem das linhas de transmissão. Mas em São Paulo, o aumento do valor de indenizações cobradas pelos proprietários também está relacionado ao desenvolvimento urbano e expectativa de valorização dos terrenos, disseram empresas que atuam na região.

A elétrica paranaense Copel, que tem expandido a atuação em São Paulo, calcula que valores de indenização pedidos pelos proprietários de terra chegam a ser entre 80 a 100 por cento maiores que os orçados pela empresa.

A empresa tenta viabilizar a linha de transmissão Araraquara II-Taubaté, um dos sistemas que ajudará no escoamento da energia das usinas do rio Madeira para São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto da linha de 500 quilovolts (Kv) foi arrematado pela empresa em leilão de 2010, mas a construção ainda não começou.

A Copel aguarda a licença de instalação, com expectativa que seja emitida até setembro para que as obras sejam iniciadas e concluídas 12 meses após o início.   Continuação...