Mercado de açúcar deve ter 4º ano seguido de excedente--Rabobank

quarta-feira, 3 de julho de 2013 14:44 BRT
 

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - O mercado de açúcar deverá ter um excedente global de 3,7 milhões de toneladas no ano-safra internacional 2013/14 (outubro a setembro), no quarto ano consecutivo de superávit pesando sobre os preços da commodity, projetou o banco holandês Rabobank em relatório desta quarta-feira.

O Rabobank, principal banco do mundo especializado em alimentos e agronegócio, ponderou que o número preliminar é bastante inferior ao volume de 12 milhões de toneladas de excedente previsto para o atual ciclo 2012/13.

"Depois de três excedentes globais consecutivos, e o correspondente declínio nos preços mundiais de açúcar, poderia ser esperado que (o setor) veja uma queda na produção mais em linha com (o nível) de consumo", disseram os analistas do banco em relatório trimestral.

Mas o excedente de oferta previsto ainda pesará sobre os preços no mercado internacional, uma vez que implica estoques maiores e não altera a relação consumo/estoques globais.

A moagem de cana no centro-sul do Brasil é estimada em 585 milhões de toneladas, com incremento de 10 por cento sobre o ciclo anterior, segundo o Rabobank.

O número está próximo da estimativa da associação da indústria (Unica), que apontou a moagem perto de 590 milhões de toneladas no ciclo 2013/14 da região, que vai de abril a dezembro.

Os analistas apontaram uma melhora nos níveis de ATR (teor de açúcar recuperável), indicador de produtividade industrial, acumulados nos primeiros dois meses da safra do Brasil, em relação às últimas temporadas. A ATR cresceu 6 por cento ante o ciclo anterior para 121,45 kg por tonelada de cana, sendo também o maior nível das últimas seis safras.

O Rabobank prevê que 46 por cento da cana moída nesta temporada deve ser destinada ao açúcar e o restante para o etanol, contra 50 por cento do ciclo anterior.

O número favorável ao etanol reflete a crescente demanda doméstica, além dos estímulos recentes para o setor como desoneração fiscal e linhas de créditos a custo mais baixo para produção e estocagem do biocombustível.   Continuação...