ANÁLISE-Bônus e ações convergem em meio a problemas da OGX

quarta-feira, 3 de julho de 2013 15:37 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - Durante meses, foi um mistério o porquê de investidores terem pontos de vista diferentes para os bônus e as ações da OGX. Agora, à medida que novas revelações surgem sobre a problemática petrolífera e seu controlador bilionário Eike Batista, as visões estão finalmente convergindo.

Nos 12 meses até março, as ações da OGX afundaram 72 por cento, com a empresa repetidamente não atingindo as metas de produção, enquanto os preços dos bônus no exterior eram negociados a cerca de 80 por cento do valor de face.

Em outras palavras, enquanto investidores na bolsa de valores julgavam a OGX quase sem valor, a Pacific Investment Management e outros fundos de bônus apostavam que a companhia produziria petróleo suficiente para honrar sua dívida.

Desde abril, no entanto, a diferença diminuiu, com o aumento das preocupações com um possível calote --e os detentores de bônus passaram a ter olhos parecidos aos dos investidores em ações da empresa. Na quarta-feira, os bônus da OGX com vencimento em 2022 eram negociados perto da mínima histórica, a 20 por cento do valor de face.

A convergência de preços está ocorrendo com investidores avaliando que a OGX está se aproximando de um dia de acerto de contas. Em 2008, quando a OGX fez sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), Eike prometeu que a empresa seria uma rival mais ágil que a estatal Petrobras. Cinco anos depois, o Barclays questiona a "viabilidade dos negócios da OGX", e o Deutsche Bank diz que uma reestruturação da dívida da companhia é uma opção.

Todos os olhos estão sobre Eike, um bilionário extravagante e principal sócio do Grupo EBX --conglomerado de empresas de mineração, energia e logística que uma vez simbolizou a ascensão do Brasil à proeminência mundial e agora é um reflexo de problemas do país. Eike tem evitado aparições públicas na sequência de uma queda de 20 bilhões de dólares de sua fortuna, que o tirou do topo da lista de riqueza do Brasil.

"Isso se tornou uma questão de prestígio", disse o gestor de recursos Jean-Dominique Butikofer, que administra 2,5 bilhões de dólares em títulos de dívida na UBP, em Zurique. "Por enquanto, eu não vi uma estratégia cristalina, a médio prazo (para a

OGX)."   Continuação...