3 de Julho de 2013 / às 19:35 / em 4 anos

Sementes e herbicidas puxam alta de custos da próxima safra de soja

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - O preço mais alto de sementes e herbicidas têm puxado os custos dos produtores de grãos que já se preparam para plantar a próxima safra do país, disseram especialistas, apontando uma oferta mais apertada dos produtos.

Por outro lado, os gastos com fertilizantes --que respondem pela maior fatia na tabela de custos dos produtores-- ficaram praticamente estáveis este ano.

O pacote de insumos --que inclui fertilizantes, sementes e defensivos-- está 8 a 10 por cento mais caro para a safra 2013/14 de soja, que começará a ser plantada no quarto trimestre, segundo levantamento do Cepea, centro de pesquisas da Universidade de São Paulo.

Para o milho, a elevação de custos é de 5 por cento.

A estimativa do Cepea, que mede mensalmente os custos de produção no país, engloba os meses de março a junho, período em que os agricultores concentram as compras.

Entre os itens com maior aumento para a soja, segundo o centro, estão os herbicidas --elevação de 30 a 40 por cento, dependendo da região-- e as sementes, com aumento de 15 a 20 por cento.

Os agricultores de Mato Grosso, Estado com a maior colheita de soja no país, sentiram altas mais significativas, com valores de custos considerados recordes pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação de produtores.

O custo com o pacote de insumos aumentou 24,3 por cento, em relação à safra passada. A maior alta foi observada nas sementes, quase 49 por cento, segundo o Imea.

“Este ano a gente teve um problema na Bahia, onde há a maior produção de sementes, e aqui em Mato Grosso também. Houve problemas na colheita dessa safra 2012/13 e as principais variedades disponíveis no mercado tiveram uma escalada no mercado”, explicou o gestor do Imea, Daniel Latorraca.

Além da oferta mais apertada, os especialistas apontam o aumento da área destinada à oleaginosa como outro fator de alta dos preços.

Consultorias estimam um plantio de mais de 29 milhões de hectares em 2013/14, crescimento de mais de 1 milhão de hectares ante a temporada anterior.

Em relação aos herbicidas, o analista Victor Ikeda, do Cepea, explica houve uma alta nos preços devido a uma restrição na fabricação de glifosato, um dos químicos mais utilizados, na China.

Em Mato Grosso, as sementes de soja e os herbicidas respondem por uma fatia de pouco mais de 11 por cento dos custos com insumos, cada um. Fertilizantes são 50 por cento dos custos, segundo o Imea. O peso de cada item varia de acordo com cada região.

DÓLAR E FERTILIZANTES

O Cepea estima que cerca de 80 por cento dos insumos para a próxima safra já foram adquiridos, o que permitiu a muitos produtores evitarem efeitos do real desvalorizado sobre os preços dos fertilizantes.

A moeda norte-americana subiu mais de 10 por cento ante o real em dois meses e a alta não será revertida no próximo ano, podendo acelerar ainda mais com a redução do estímulo à economia dos Estados Unidos, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira.

Boa parte dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados.

As entregas de fertilizantes nos primeiros cinco meses do ano avançaram 3 por cento ante igual período de 2012, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que reúne as empresas do setor.

A Informa Economics FNP, que elaborou estimativa de custos em maio --antes do maior impacto da alta do dólar--, estimou que os preços deste insumo recuaram de 1 a 5,4 por cento ante a safra anterior, dependendo da região.

“O produtor que fez as contas dele e já fez a aquisição de adubo, ele necessariamente fez uma grande operação. As traders de adubo começam a mudar as tabelas de preços de adubos. O adubo tende a ficar mais caro neste segundo semestre”, disse Aedson Pereira, analista da consultoria.

Com uma metodologia diferente, o Cepea estimou estabilidade nos preços.

“A gente já reparou em junho que em alguns casos aceleraram as vendas de fertilizantes. Quem estava em dúvida, já fechou negócios de fertilizantes”, disse o pesquisador do Cepea Victor Ikeda, citando produtores que tentaram evitar altas ainda maiores do produto.

Segundo ele, nas últimas semanas o Cepea recebeu notícias de revendas reajustando os preços dos fertilizantes quase todos os dias.

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