3 de Julho de 2013 / às 19:54 / em 4 anos

Plano da Energisa pelo Grupo Rede depende de refinanciamento de dívida

SÃO PAULO, 3 Jul (Reuters) - A Energisa e o grupo formado por CPFL e Equatorial Energia impuseram a validade de suas ofertas para comprar o Grupo Rede à aprovação de propostas por assembleia de credores da companhia nesta quarta-feira.

A assembleia começou na manha desta quarta e no início da tarde foi novamente suspensa por duas horas, depois que as ofertantes impuseram as condições.

Alguns credores pediram que o adiamento fosse até sexta-feira, para que tivessem tempo de avaliar as propostas já que a oferta da Energisa foi protocolada apenas na terça-feira.

Mas CPFL e Equatorial argumentam que os credores já tiveram bastante tempo para avaliar a oferta.

“Há um limite para tudo na vida”, disse o advogado do grupo, Eduardo Munhoz, ao anunciar a condição de aprovação do plano nesta quarta, depois que a Energisa já tinha estabelecido a mesma condicionante.

Diante do impasse, o administrador judicial do processo de recuperação judicial do Grupo Rede suspendeu a assembleia por duas horas a pedido do atual controlador do grupo.

REFINANCIAMENTO RETIRADO

Após questionamentos de credores, a Energisa retirou de sua proposta pelo Grupo Rede a condição de que houvesse uma adesão mínima de credores com garantia real a opção de recebimento da divida que inclui o refinanciamento.

O FI-FGTS, um dos credores com garantia real, se manifestou por meio da advogada na assembleia que não está pretendendo aportar qualquer recurso no Grupo Rede.

A proposta da Energisa, que busca concorrer com a oferta já apresentada por CPFL e Equatorial, propõe o pagamento dos credores em até 22 anos, com diversas opções de pagamento e, segundo a Energisa, tem valor presente entre 650 milhões e 700 milhões de reais maior que a concorrente.

O plano da Energisa ainda propõe um investimento total de 1,95 bilhão de reais para pagar credores e outros 1,1 bilhão para investimento nas empresas do grupo para atender compromisso estabelecido com a Aneel.

CPFL e Equatorial, que tinham contrato de compromisso de compra firmado com o atual controlador do Grupo Rede, oferecem 1,8 bilhão de reais para pagamento aos credores e outros cerca de 773 milhões de reais para investir nas empresas.

“As duas propostas são ruins ainda”, disse o advogado dos bondholders do Grupo Rede, Eduardo Mattar, a jornalistas.

A Energisa propõe diversas propostas de pagamento aos credores, sendo 850 milhões direcionados aos credores com garantia real e 1,1 bilhão de reais aos quirografários.

Os credores com garantia real têm opção de receber o total da dívida em 22 anos, corrigida por taxa de referencia (TR)+ 2 por cento ao ano.

A segunda opção é receber em 22 anos, com correção de TR+4 por cento ao ano, desde que o credor aceite em aportar dinheiro novo referente a 90 por cento do valor de sua dívida à Energisa, em um financiamento de 20 anos, carência de 12 anos, com TR+7 por cento. A opção C prevê o pagamento ao credor da divida à vista, com desconto de 75 por cento.

Os credores quirografários poderiam optar também entre 3 opções. A primeira estima pagamento da divida sem desconto em 22 anos, com juros de 1 por cento ao ano.

A opção B prevê o pagamento da dívida em 22 anos, corrigida por IPCA+1 por cento, com aporte novo pelo credor de 90 por cento do valor De sua divida, a ser financiado em 20 anos, com juros de 3,5 por cento ao ano e carência de 4 anos. A terceira opção prevê o pagamento com 75 por cento de desconto, à vista.

A ideia inicial da Energisa era que a proposta só seria válida se no mínimo credores com garantia real com divida somada equivalente a 700 milhões de reais aderissem a segunda opção de recebimento da dívida, a que inclui aporte de capital. Essa condição foi retirada posteriormente.

Ainda, credores quirografários com dívidas somadas de pelo menos 1,5 bilhão de reais terão que aderir a terceira opção correspondente, de desconto de 75 por cento na divida, para que Energisa leve o plano adiante.

O prazo de recuperação judicial do Grupo Rede finda em 15 de julho e as distribuidoras de energia do grupo que estão sob intervenção da Aneel tem que ser assumidas por um novo controlador ate 30 de agosto. Esse é o prazo do fim do período de intervenção nas companhias, quando a concessão das empresas poderá caducar. (Por Anna Flavia Rochas; edição de Aluísio Alves)

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