3 de Julho de 2013 / às 21:00 / 4 anos atrás

Premiê de Portugal tenta neutralizar crise política

Por Sergio Goncalves e Daniel Alvarenga

LISBOA, 3 Jul (Reuters) - O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, está confiante que os dois partidos da coalizão governamental vão ultrapassar "muito rapidamente" a atual crise política, que derrubou a bolsa de valores de Lisboa e fez disparar o rendimento da dívida soberana.

Em entrevista coletiva em Berlim, o premiê português disse que "Portugal tem feito tudo o que é indispensável para cumprir com sucesso o programa de ajuste (fiscal)".

"(Portugal) tem até agora conseguido estabilidade política para ultrapassar dificuldades econômicas e financeiras", disse.

O líder do Centro Democrático e Social-Partido Popular (CDS-PP), Paulo Portas, que apresentou sua demissão do cargo de ministro de Relações Exteriores e gerou uma crise política, vai negociar com Passos Coelho, que além de primeiro-ministro é presidente do PSD, para garantir a governabilidade, disse o presidente da mesa do Congresso do CDS-PP, Luis Queiró.

O premiê não aceitou a demissão de Portas e reafirmou que não abandonará a chefia do Executivo.

Portas é o líder do CDS-PP, que é crucial para a coligação governamental manter o apoio da maioria do Parlamento, e tem manifestado publicamente a sua discordância com várias medidas de austeridade, como aumento de impostos e cortes de gastos sociais, defendidos pelo premiê e pelo anterior ministro das Finanças.

Segundo o premiê, "até hoje PSD e CDS têm conseguido colocar o interesse nacional à frente de todas as pequenas divergências, que são naturais, e tem conseguido mostrar ao país que a maioria funciona, com avaliações positivas em todos os exames".

A imprensa portuguesa noticiou nesta quarta-feira que a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e o ministro da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, ambos do CDS-PP, menor partido da coalizão governista, irão apresentar a sua demissão, o que colocaria o governo à beira do colapso.

O presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, José Manuel Durão Barroso, alertou que "a reação inicial dos mercados mostra o risco óbvio de que a credibilidade financeira recentemente construída por Portugal possa ser prejudicada pela atual instabilidade política".

O analista António Garcia, do Barclays, vê "eleições antecipadas como o mais provável resultado, mesmo que não possa afastar algum apoio dos deputados do CDS e a continuidade do governo".

A atual crise política acontece às vésperas da oitava revisão regular do resgate feito à Portugal pela UE, que terá inicio formal em 15 de julho.

O principal índice de ações da Bolsa de Lisboa desabou mais de 5 por cento nesta quarta-feira, enquanto o yield dos bônus de Portugal chegaram a disparar acima de 8 por cento, no maior patamar desde novembro de 2012.

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