4 de Julho de 2013 / às 10:08 / 4 anos atrás

Conselho da MPX desiste de oferta pública, Eike renuncia

Chairman do grupo EBX, Eike Batista, comparece a conferência econômica em Bervelly Hills, na Califórnia. O conselho de administração da empresa de energia MPX decidiu cancelar a oferta pública de ações da companhia e promover um aumento de capital de 800 milhões de reais por meio de uma operação privada, diante das condições desfavoráveis dos mercados acionários, informou a companhia nesta quinta-feira. O conselho também aceitou a renúncia do empresário Eike Batista do cargo de presidente e membro do grupo. 30/04/2012. REUTERS/Fred Prouser

Por Guillermo Parra-Bernal e Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 4 Jul (Reuters) - O Conselho de Administração da empresa de energia MPX decidiu cancelar a oferta pública de ações da companhia e promover um aumento de capital de 800 milhões de reais por meio de uma operação privada, diante das condições desfavoráveis dos mercados acionários, informou a companhia nesta quinta-feira.

O Conselho também aceitou a renúncia do empresário Eike Batista do cargo de presidente e membro do grupo.

Além disso, foi feita a proposta para renomear a empresa, para uma nova marca ainda não definida.

“Foram feitas decisões estratégicas ontem, uma é a de recomendar aos acionistas a mudança do nome da MPX e fazer nova marca até outubro”, afirmou o diretor presidente e de relações com investidores, Eduardo Karrer, em teleconferência com analistas.

A recomendação para o cancelamento da oferta pública e promoção da capitalização privada partiu do banco BTG Pactual, que tem atuado como assessor financeiro do grupo EBX, de Eike.

Além disso, segundo a MPX, “investidores e acionistas relevantes da MPX não manifestaram interesse em participar da oferta pública”. O empresário e gestores da MPX têm 29 por cento da empresa, com a alemã E.ON detendo 36 por cento e o restante em circulação no mercado acionário.

Segundo executivos da MPX que participaram da teleconferência, após o aumento de capital privado, a alemã E.ON deverá ter uma participação de cerca de 38 por cento na empresa, enquanto Eike Batista terá 24 por cento, e o banco BTG Pactual ficaria com “um pouco mais de 10 por cento”.

Os executivos acrescentaram que Eike não deu nenhuma garantia de que irá participar do aumento de capital privado, mas que o acordo entre o empresário e a E.ON ainda é válido.

Eles ressaltaram também que não há call option para comprar a participação de Eike na empresa de energia.

Um porta-voz da E.ON afirmou apenas que a renúncia de Batista ocorreu “por sua decisão pessoal”. As ações das empresas do grupo EBX sofreram pesadas baixas na Bovespa nas últimas semanas, em meio à desconfiança de investidores sobre o fôlego financeiro das companhias e atrasos de projetos.

“Portanto, o BTG considerou que a oferta pública não seria viável em sua estrutura original nesse momento”, divulgou a MPX. Inicialmente, a operação previa levantar pelo menos 1,2 bilhão de reais.

A capitalização será promovida ao preço de 6,45 reais por ação, valor de fechamento da ação da MPX na quarta-feira.

Na teleconferência, Karrer afirmou que a capitalização irá criar valor para os acionistas da empresa.

“Nós vemos uma ampla gama de oportunidades como resultado dessa capitalização, para crescimento, para fortalecer nosso balanço (...) Isso é parte do processo de evolução da MPX como uma entidade independente”, disse.

“Nós gostaríamos de agradecer ao Eike por todas as coisas que ele fez pela empresa... esse é um momento importante para a empresa porque todas as coisas que decidimos na noite passada irão nos ajudar a abrir caminho para o futuro da MPX.”

Parcela de cerca de 366,7 milhões de reais da operação será subscrita pela E.ON, que em março fechou acordo para comprar mais 24,5 por cento de participação na companhia de energia, numa operação de cerca de 1,5 bilhão de reais .

O restante poderá ser assumido pelo próprio BTG Pactual, que assinou compromisso para capitalização da empresa caso os atuais acionistas não subscrevam a parcela remanescente.

Sobre as operações da empresa, a MPX ressaltou que irá participar do leilão de energia térmica em agosto deste ano, e também em outros leilões que serão feitos ainda neste ano.

A companhia mantém também a intenção de emitir debêntures de infraestrutura, e espera fazê-lo no quarto trimestre deste ano.

Reportagem adicional de Alberto Alerigi Jr. e Alonso Soto

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