BCE deve evitar medidas em meio a ameaça de retorno da crise na zona do euro

quinta-feira, 4 de julho de 2013 07:37 BRT
 

Por Paul Carrel

FRANKFURT, 4 Jul (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) deixará inalterada sua taxa de juros nesta quinta-feira e tentará acalmar os investidores nervosos com as novas turbulências na Europa e os planos de o banco central norte-americano começar a reduzir seu estímulo.

O BCE se reúne em meio a um cenário de crise política em Portugal que levou os rendimentos de seus títulos para mais de 8 por cento --uma alta que provocou angústia nos mercados financeiros já abalados depois que o Federal Reserve apresentou no mês passado um plano para acabar com o programa de estímulo norte-americano.

As tensões lá, e na Grécia, colocam em risco a confiança um ano depois de o presidente do BCE, Mario Draghi, passar alguma calma ao prometer fazer "o que for necessário" para salvar a moeda.

"O BCE precisa tranquilizar os mercados de que não tentará sair na frente do Fed e apertar ainda mais cedo, então tudo se resume à direção até onde isso é possível no BCE", disse o economista do banco Berenberg Christian Schulz.

Pesquisa da Reuters junto a economistas na semana passada indicou que o BCE deixará sua principal taxa de juros em 0,5 por cento até ao menos o fim de 2014.

Uma aceleração da inflação na zona do euro em junho e gastos do consumidor mais fortes do que o esperado na França e na Alemanha reforçam a projeção do BCE de uma lenta recuperação da zona do euro neste ano, deixando pouco espaço para justificar um corte de juros agora.

Mas depois de Draghi decepcionar os mercados na reunião de junho do banco ao descartar suas expectativas de qualquer ação de política iminente, ele precisa mostrar um tom mais tranquilizador desta vez mesmo que o BCE não tome ações.