Brasil enfrenta "paradoxo ambiental" ao rechaçar hidrelétricas, diz EPE

quinta-feira, 4 de julho de 2013 12:11 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 4 Jul (Reuters) - O Brasil enfrenta um paradoxo ambiental ao rechaçar a construção de novas hidrelétricas com grandes reservatórios e conviver com a possibilidade de novas usinas à carvão voltarem a matriz energética, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, nesta quinta-feira.

"Se tivesse mais reservatório poderíamos deixar o carvão de lado. Mas, se hoje é difícil fazer usina sem reservatório, imagina com reservatório", disse Tolmasquim a jornalistas. "É um paradoxo ambiental que representa a escolha feita pela sociedade. O sinal que vem hoje é de resistência à geração hidrelética", acrescentou ele.

Por restrições ambientais, as usinas hidrelétricas com grandes reservatórios foram deixadas de lado nos últimos anos e, para evitar polêmicas e transtornos comuns a esse tipo de empreendimento --como alagamento e desapropriações que muitas vezes envolvem terras indígenas--, o governo brasileiro migrou para projetos de usinas à fio d'água, sem reservatórios de acumulação de água.

No leilão A-5 deste ano, que contrata energia a ser entregue a partir de 2018, está prevista a participação de energia térmica à carvão, tipo de geração mais poluente e que, no passado, já foi muito condenada pelos ambientalistas.

As usinas à carvão não entram em um leilão promovido pelo governo desde 2008.

O presidente da EPE ressaltou que "torce" para que a oferta de gás natural aumente no país no próximos anos para que a geração térmica com esse combustível volte a ganhar espaço na matriz e, consequentemente, afaste a fontes mais poluentes.

"O ideal para o Brasil é expandir com térmicas à gás e não a carvão, por questões ambientais. O setor elétrico torce para que o leilão da ANP mude esse cenário", disse Tolmasquim.

No momento, o gás disponível é caro e, no caso do pré-sal, está sendo usado prioritariamente na injeção nos poços para aumentar a vazão/produção de petróleo. Além disso, o gás do pré-sal se encontra a longa distância da costa o que torna o produto ainda mais caro. "O carvão volta porque o gás não está competitivo. O GNL também está caro", disse Tolmasquim.

O GNL, gás natural liquefeito, que seria outra alternativa para as térmicas à gás, também está com preços elevados no mercado internacional. O Brasil importa o GNL de vários mercados e a Petrobras estima trazer só esse ano 60 cargas para atender o mercado.   Continuação...

 
Vista parcial do reservatório da hidrelétrica de Furnas, em São João da Barra, Minas Gerais. O Brasil enfrenta um paradoxo ambiental ao rechaçar a construção de novas hidrelétricas com grandes reservatórios e conviver com a possibilidade de novas usinas à carvão voltarem a matriz energética, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, nesta quinta-feira. 14/01/2013. REUTERS/Paulo Whitaker