Desligamento de térmicas vai demandar mais geração hidrelétrica, diz ONS

quinta-feira, 4 de julho de 2013 13:29 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 4 Jul (Reuters) - A decisão do governo federal de desligar usinas térmicas movidas a óleo e a diesel vai demandar mais geração das hidrelétricas do país, disse o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

Durante o período seco, até novembro, serão consumidos o equivalente a 1,5 por cento do nível dos reservatórios das hídricas brasileiras por mês para compensar o desligamento das térmicas.

"Com a paralisação, o uso dos reservatórios vai ser de perto de 8 por cento até novembro", disse Chipp a jornalistas em evento de energia nesta quinta-feira.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu na quarta-feira pelo desligamento de 34 térmicas movidas a óleo (diesel e combustível), diante da melhora no nível dos reservatórios das hidrelétricas. A maioria estava ligada desde outubro.

As térmicas a óleo são mais caras e mais poluentes. Recentemente, o governo já tinha optado por desligar outras 5 usinas. .

Segundo Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o ONS, as térmicas desligadas representavam 1 terço da geração térmica, mas custavam dois terços do total. A economia com o desligamento dessas usinas é de 1,4 bilhão de reais ao mês.

O diretor-geral do ONS disse que, se houver necessidade, as térmicas podem ser religadas. "Se a hidrologia reverter, voltamos com elas por ordem de mérito, aos poucos, e onerando o mínimo possível o consumidor", destacou Chipp. "Mas se o período úmido for antecipado e começar a chover no Sudeste como foi em 2011, a gente desliga parte das térmicas a gás ou até todas", acrescentou Chipp.

Dados do ONS mostram que os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste registram nível de armazenamento de 63,71 por cento atualmente. As hidrelétricas do Sul estão com níveis de estoque de água de 82 por cento. No Norte, estão em 93,5 por cento e, no Nordeste, em 46,2 por cento.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)