Fibria vê risco "quase zero" de romper limite de endividamento por dólar valorizado

quinta-feira, 4 de julho de 2013 16:31 BRT
 

SÃO PAULO, 4 Jul (Reuters) - A Fibria avalia que os riscos de romper o limite de endividamento acertado com credores é quase zero, apesar do impacto do dólar mais valorizado na dívida da companhia, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o gerente geral de Relações com Investidores da maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, André Luiz Gonçalves.

"Os covenants (compromissos da empresa com investidores de que não vai superar determinados níveis de endividamento) são em dólar desde meados do ano passado", disse Gonçalves. "Por isso, o risco de quebra de covenants é quase zero."

Segundo ele, cerca de 93 por cento da dívida da companhia é denominada em moeda estrangeira, mas com vencimentos em 2020 e 2021. Por isso, há impacto no endividamento total a ser lançado contabilmente, mas sem efeito caixa nos resultados do segundo trimestre.

Já os compromissos de curto prazo são em reais e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse o executivo.

Se o dólar mais forte eleva a dívida da Fibria quando convertida para a moeda brasileira, ele também beneficia a receita, pois a maior parte da celulose produzida pela companhia é direcionada ao mercado externo.

Gonçalves minimizou a chance de haver sobreoferta de celulose no mercado global pela entrada em operação do projeto Eldorado, com capacidade de 1,5 milhão de toneladas por ano, já que a produção da commodity no Hemisfério Norte caiu em cerca de um milhão de toneladas recentemente.

Para o executivo, entretanto, pode haver "alguma volatilidade" nos preços do produto até agosto, mas esse é um fator sazonal. Segundo ele, o menor consumo de commodities na China não é tão expressivo sobre os resultados da companhia, que manda para lá apenas 20 por cento de sua produção.

Gonçalves disse ainda que a Fibria adota atualmente uma postura conservadora em relação a operações com instrumentos derivativos. Investidores têm questionado a companhia sobre o assunto com a alta recente do dólar.

A Fibria nasceu da junção da VCP com a Aracruz, após esta ter tido prejuízo bilionário com apostas equivocadas em derivativos em 2008, quando a quebra do banco Lehman Brothers provocou grande volatilidade nos mercados financeiros globais e alta abrupta do dólar ante o real.

(Por Natalia Gómez)