Fundo Mubadala será único credor da EBX após reestruturação, diz fonte

quinta-feira, 4 de julho de 2013 20:16 BRT
 

Por Cesar Bianconi e Jeb Blount

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 4 Jul (Reuters) - A reestruturação da EBX prevê que o fundo Mubadala será o único credor da holding do empresário Eike Batista quando for concluído o processo de venda de ativos e busca de parceiros estratégicos para as companhias "X", o que deve levar meses, disse à Reuters uma fonte próxima ao grupo.

Segundo a fonte, ouvida nesta quinta-feira sob condição de anonimato, a EBX reestruturou a dívida com a Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, que foi reduzida de mais de 2 bilhões de dólares para algo entre 1,6 bilhão e 1,7 bilhão de dólares. Além disso, o prazo do débito foi alongado.

Parte da dívida com a Mubadala foi paga com o caixa levantado por Eike na venda de ações da petrolífera OGX no fim de maio. O empresário também entregou ao fundo ações da mineradora MMX e um investimento pessoal que tinha na rede de lanchonetes Burger King, disse a fonte.

Eike, que em 2012 estava na lista dos 10 homens mais ricos do mundo, viu sua fortuna desabar de dezenas de bilhões de dólares para alguns bilhões neste ano. Ele foi vítima de seus projetos ambiciosos que não entregaram os resultados prometidos --a maioria na área de infraestrutura e energia.

Diante da derrocada do valor de mercado das controladas da EBX na Bovespa nos últimos meses, Eike contratou em março o BTG Pactual como assessor financeiro para encontrar alternativas para o grupo.

O primeiro resultado do trabalho do banco foi anunciado nesta quinta-feira, com a capitalização privada da empresa de energia MPX e a saída de Eike do Conselho de Administração da companhia, que passa a ser gerenciada pela alemã E.ON, sua sócia majoritária. A empresa ainda mudará de nome.

A dívida da EBX de cerca de 1 bilhão de dólares com Itaú e Bradesco será quitada após a alienação da fatia minoritária de Eike na MPX e de sua participação na MMX, disse a fonte --duas próximas operações de venda que devem ser fechadas. "Com isso (venda de MPX e MMX), Eike quita Itaú e Bradesco e ainda sobra caixa", adiantou a fonte.

"A holding, no fim das contas, terá uma dívida longa com Mubadala e mais nenhuma dívida. E vai ter algum caixa, ativos secundários e uma participação diluída na empresa de logística LLX, porque você vai trazer novos investidores que vão completar o porto (da LLX)", disse a fonte.   Continuação...