Chinesa Rongsheng, símbolo da crise da navegação, pede ajuda

sexta-feira, 5 de julho de 2013 07:59 BRT
 

HONG KONG, 5 Jul (Reuters) - A China Rongsheng Heavy Industries, maior estaleiro privado da China, apelou nesta sexta-feira por ajuda financeira junto ao governo chinês e grandes acionistas depois de cortar sua força de trabalho e atrasar pagamentos a fornecedores.

Analistas afirmaram que a companhia pode ser a maior vítima de uma indústria de construção naval que sofre com excesso de capacidade e redução de encomendas em meio à crise global da navegação. Novas encomendas de navios junto a estaleiros chineses caíram em cerca de 50 por cento no ano passado.

Horas depois que a Rongsheng fez o pedido de ajuda, Pequim prometeu promover fechamentos organizados de algumas fábricas em setores atingidos por excesso de capacidade.

O comunicado do Conselho de Estado, ou gabinete de governo, cita planos amplos para assegurar apoio bancário ao tipo de reestruturação econômica que Pequim tenta conduzir na manufatura sofisticada. O documento, porém, não menciona indústrias específicas ou companhias e não há referências à Rongsheng.

A China Rongsheng afirmou que espera prejuízo líquido nos seis meses encerrados em 30 de junho, mas a companhia não citou números.

A empresa teve prejuízo líquido de 572,6 milhões de iuans (93,5 milhões de dólares) em 2012, seu prior resultado anual, apesar de receber subsídios do governo de 1,27 bilhão de iuans no período.

As ações da empresa despencaram 16 por cento, para o nível mais baixo já registrado pelo papel, o que deixou seu valor de mercado abaixo de 1 bilhão de dólares. No ano, a Rongsheng acumula desvalorização de 28 por cento.

Analistas afirmaram que a companhia tem enfrentado problemas parcialmente por sua dependência do mercado de grandes cargueiros que transportam minério de ferro entre países como Brasil para a China. Esse mercado foi responsável por 58 por cento de sua carteira de encomendas.

A companhia afirmou que recebeu apenas duas encomendas, avaliadas em 55,6 milhões de dólares no ano passado, quando a meta era alcançar 1,8 bilhão em contratos.

(Por Clement Tan e Umesh Desai)