5 de Julho de 2013 / às 15:08 / 4 anos atrás

IPCA desacelera em junho a 0,26%, mas em 12 meses vai a 6,70%

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 5 Jul (Reuters) - A inflação ao consumidor brasileiro desacelerou em junho para 0,26 por cento, favorecida por alimentos, num resultado abaixo do esperado e com forte queda da dispersão. Mas o acumulado em 12 meses foi a 6,70 por cento, maior alta desde 2011.

O resultado mensal, o menor desde junho de 2012 (+0,08 por cento), reforça a expectativa de que o Banco Central manterá o ritmo de aperto monetário na reunião da próxima semana.

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia subido 0,37 por cento, com o acumulado em 12 meses em 6,50 por cento, exatamente no teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais.

Os números de junho foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e levaram o acumulado em 12 meses ao pior resultado desde os 6,97 por cento de outubro de 2011.

Entretanto, as taxas ficaram abaixo do esperado em pesquisa da Reuters. A expectativa sobre junho era de alta de 0,33 por cento, segundo a mediana, com as projeções variando de 0,29 a 0,37 por cento. Já para o acumulado em 12 meses a expectativa chegava a 6,77 por cento.

Outro ponto de destaque foi a forte redução do índice de difusão. Segundo o economista e sócio da Tendências Juan Jensen, o índice caiu para 54,5 por cento em junho, ante 62 por cento em maio.

“Acho que o quadro é positivo apesar de em 12 meses ter voltado a estourar o teto e de haver um risco grande para o futuro por causa do câmbio”, disse ele, referindo-se à desvalorização recente do real e destacando um viés de alta para sua projeção de inflação a 5,6 por cento no fim do ano.

ALIMENTOS

O destaque no mês foi desaceleração da alta dos preços de alimentos para 0,04 por cento em junho ante 0,31 por cento em maio. Segundo o IBGE, isso é resultado não apenas do comprometimento da renda por conta da inflação elevada, mas também da Copa das Confederações e do fato de os comerciantes terem baixado os preços para reduzir os estoques acumulados depois de fecharem as portas nos dias de manifestações.

“O comércio esteve fechado por muitos dias e o clima da Copa modifica hábitos de consumo ou direciona para produtos como cerveja e alimentação fora de casa. Foi um junho atípico”, explicou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Para o economista da LCA Fabio Romão, a alta dos preços dos alimentos deve mostrar aceleração em julho, mas mesmo eliminando o efeito provocado pelas manifestações, tendem a continuar baixos.

“Não acho que isso é um fator impeditivo para ter taxa baixa de alimentos em julho, ainda que a projeção seja maior do que em junho”, disse ele, que vê expansão de 0,16 por cento de alimentos neste mês.

Também colaboraram para o resultado de junho remédios, com estabilidade no mês passado, depois de alta de 1,61 por cento em maio; e combustíveis, com queda de 1,67 por cento após cair 0,75 por cento.

Por outro lado, segundo o IBGE, a Copa das Confederações pressionou o IPCA em itens como aluguel e passagens aéreas, que ficaram mais caros. Com isso, serviços subiram 0,38 por cento em junho ante 0,31 por cento em maio, e no ano acumulam alta de 4,29 por cento.

O principal impacto de baixa sobre o IPCA de junho foi exercido por gasolina, com 0,04 ponto percentual, e etanol, com 0,05 ponto. Na outra ponta, as tarifas de ônibus urbanos lideraram os impactos de alta, com 0,07 ponto percentual, após subirem 2,61 por cento, ante queda de 0,02 por cento em maio

Com isso o grupo Transportes registrou em junho alta de 0,14 por cento, após queda de 0,25 por cento no mês anterior. Mas o aumento das tarifas de transporte público, principal gatilho dos maiores protestos de rua em mais de duas décadas, foi revogado em várias capitais, o que deve ajudar a inflação a perder força em julho.

Segundo o IBGE, a queda nos ônibus urbanos no Rio de Janeiro e em Goiânia será de 5 por cento em julho; em São Paulo, de 4,5 por cento; e em Curitiba e Recife, de 3 por cento.

Isso deve ajudar a inflação em 12 meses a voltar para dentro da banda de tolerância do governo, segundo Romão. Com o efeito da revogação do aumento das tarifas somado à expectativa de alta moderada de alimentos e combustíveis em queda, ele espera alta de 0,09 em julho, indo a 6,30 por cento em 12 meses.

PRESSÃO

Isso, entretanto, não alivia a pressão sobre o BC, cujo Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 9 e 10 de julho para decidir o novo patamar da Selic, atualmente em 8,0 por cento. Analistas destacaram principalmente a preocupação com a alta recente do dólar, que não deve voltar para perto de 2 reais tão cedo, segundo pesquisa da Reuters.

“O BC vai continuar subindo juros, e esperamos mais 0,50 ponto na reunião de julho. A pressão continua porque o quadro inflacionário ainda é ruim e as expectativas estão muito elevadas”, disse Jensen, da Tendências, para quem a Selic encerra 2013 a 9,0 por cento.

A curva de juros futuros chegou a embutir expectativa majoritária de alta de 0,75 ponto na Selic na semana que vem, mas esse cenário já perdeu força, com a maioria das apostas nos últimos dias em 0,50 ponto. Essa também é a expectativa vista na pesquisa Focus do BC.

O próprio BC já piorou sua visão para o IPCA neste ano a 6 por cento, ante previsão anterior de 5,7 por cento, mas o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo, acredita que a inflação fechará este ano abaixo dos 5,84 por cento registrados em 2012.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Walter Brandimarte; Texto de Camila Moreira; Edição de Alexandre Caverni

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