July 5, 2013 / 8:29 PM / 4 years ago

Dólar estimula retomada das vendas antecipadas de soja do país, dizem analistas

4 Min, DE LEITURA

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 5 Jul (Reuters) - A comercialização antecipada da safra 2013/14 de soja tem ganhado ritmo nas últimas semanas no Brasil, após estagnação em boa parte do primeiro semestre, por influência de um real mais desvalorizado, apontaram especialistas.

A moeda norte-americana valorizou pouco mais de 4 por cento sobre a brasileira só em junho, o que ajuda os produtores a fecharem negócios mais lucrativos em real sobre uma commodity precificada em dólares.

A consultoria AgRural estima que as vendas de soja cheguem atualmente a cerca de 20 por cento do volume que será colhido em 2014, contra cerca de 5 por cento no fim de maio.

"Foi a desvalorização cambial que puxou essa comercialização", disse o consultor da AgRural Fernando Muraro.

Por outro lado, as vendas antecipadas estavam em 52 por cento nesta mesma época do ano passado, lembrou o especialista.

Custos E preços

O ímpeto menor para o fechamento dos negócios deve-se a preços menos atraentes que vinham sendo oferecidos pelas empresas compradoras, que tiveram que começar a repassar custos que surgiram nos últimos meses, como fretes mais caros.

"Teve um movimento de dificuldade, porque as tradings jogaram custos de frete lá em cima e isso afujentou os primeiros negócios", completou Muraro.

Indústrias que processam e exportam podem registrar margens de lucro perto de zero ao final da safra 2012/13, porque fecharam negócios antecipados no início de 2012 que não previam a elevação do preço de transporte verificada ao final do ano, após a entrada em vigor de uma lei que restringiu as horas trabalhadas pelos caminhoneiros e, por consequência, a oferta de frete.

"A desvalorização (do real) muda a formação de preços, porque o frete, que é pago em real, fica mais barato em dólares", lembrou o analista da AgRural.

Na avaliação da consultoria Safras & Mercado, 10 por cento dos 85 milhões de soja previstos para a próxima colheita já foram comprometidos, contra 33 por cento na mesma época em 2012 e 10 por cento da média histórica.

Para o analista Steve Cachia, da CerealPar, outro fator que influencia a retração nas vendas em 2013 é a expectativa de muitos produtores de aproveitar uma eventual escalada nos preços internacionais, como as verificadas em 2012.

No ano passado, a pior seca nos EUA em 50 anos catapultou as cotações na bolsa de Chicago a níveis históricos.

"O pessoal, como acontece muitas vezes, está olhando o ano passado, e no ano passado os melhores preços foram no segundo semestre", disse ele. "Só que esse ano o cenário até agora é o contrario."

Cachia estima que a comercialização antecipada da safra 2013/14 esteja em 10 por cento no país, com maior volume de negócios no Centro-Oeste, um ritmo avaliado por ele como "lento".

Segundo ele, muitos produtores fazem uma "aposta no clima", torcendo por uma nova quebra na produtividade das lavouras dos EUA.

"Se a aposta é valida ou não, só o tempo dirá", avaliou. "Minha estratégia seria de aproveitar um pouco mais essa condição de Chicago razoável e dólar acima do esperado".

Com praticamente toda as lavouras de soja nos EUA já em estágio de germinação, o Departamento de Agricultura apontou na segunda-feira que 55 por cento das áreas apresentam condições "boas" e 12 por cento estado "excelente", bem acima da qualidade registrada no mesmo período de 2012.

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