5 de Julho de 2013 / às 22:39 / em 4 anos

Dólar fecha estável ante real após dados dos EUA e ação do BC

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 5 Jul (Reuters) - O dólar fechou praticamente estável ante o real nesta sexta-feira, apesar da forte valorização da divisa norte-americana no exterior, com o movimento de alta atenuado pela atuação do Banco Central e sinais de compromisso do governo federal com as metas fiscal e de inflação.

A moeda norte-americana avançou 0,09 por cento, cotada a 2,2595 reais, tendo oscilado entre 2,2468 reais, na mínima, e 2,2708 reais, na máxima. O volume de negociação na clearing da BM&F, por onde passam a maior parte das transações cambiais no país, ficou em 1,42 bilhão de dólares.

O dólar começou a subir pela manhã após os Estados Unidos divulgarem a abertura de mais postos de trabalho do que o esperado em junho. Os dados aumentaram as chances de o Federal Reserve, banco central norte-americano, começar a reduzir seu programa de estímulos neste ano, o que reduziria a liquidez internacional.

No exterior, por volta das 18 horas, o dólar subia 1,4 por cento ante uma cesta de moedas, enquanto o euro se desvalorizava 0,6 por cento ante a moeda norte-americana.

A alta no mercado doméstico foi atenuada, no entanto, por um leilão de venda de swaps cambiais tradicionais no valor de 1,934 bilhão de dólares. O Banco Central vendeu quase todo o lote de 40 mil contratos ofertados, com vencimentos em 1º de novembro de 2013 e 2 de dezembro de 2013.

Além disso, sinais de que o governo está comprometido com o cumprimento da meta fiscal e de inflação ajudaram a aplacar a desconfiança do investidor estrangeiro em relação ao Brasil, disse o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

“O Banco Central atuou hoje, o governo anunciou que vai cortar gastos e que vai reduzir impostos para a importação. Isso ajuda um pouco a diminuir o pessimismo em relação ao Brasil e fez o real até performar bem comparativamente ao movimento no exterior”, disse ele.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu o cumprimento da meta de superávit primário de 2,3 por cento do PIB com um corte de despesas a ser anunciado na semana que vem.

O ministro voltou a se pronunciar na parte da tarde, anunciando que o governo estuda reduzir impostos sobre a importação de insumos básicos, como aço e produtos químicos, para conter pressões inflacionárias provenientes da desvalorização do real.

A expectativa pelo segundo pronunciamento de Mantega fez com que o dólar caísse momentâneamente durante a tarde. As cotações voltaram a subir, no entanto, após o anúncio das intenções do governo.

“O mercado está sensível e reagindo a fluxos pontuais”, afirmou o operador da corretora Renascença, José Carlos Amado.

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