Juiz decidirá se plano de recuperação do Grupo Rede foi aprovado em assembleia

sexta-feira, 5 de julho de 2013 21:00 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 5 Jul (Reuters) - A aprovação do plano de recuperação do Grupo Rede Energia, vinculado à venda do controle da empresa para a Energisa, dependerá de decisão do juiz no processo de recuperação, após a votação em assembleia nesta sexta-feira ter sido inconclusiva.

O atual controlador do Grupo Rede e a Energisa tem a expectativa de que o juiz entenda que o plano foi aprovado na assembleia, considerando a votação que contabilizou os votos de todos os credores, inclusive do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), que só conseguiu votar a favor do plano por decisão liminar da Justiça.

O FI-FGTS não poderia votar porque era acionista do Grupo Rede, mas conseguiu vender suas ações e, com liminar da Justiça, garantiu a participação na votação do plano como credor da Denerge, uma das holdings do Grupo Rede que também está em recuperação judicial, conforme explicou o advogado do Grupo Rede, Thomas Felsberg.

A contabilização dos votos foi feita por classe de credor, por valor dos créditos e por cabeça - nas modalidades de votos de todos os credores, inclusive os que garantiram voto por liminar; e de votos de credores excluindo os protegidos por liminar.

Na contabilização sem liminares, a maioria dos credores votou contra o plano, mas num resultado equilibrado. No voto que considera o peso dos créditos, 47,19 por cento foi a favor do plano e 52,81 por cento contra. Considerando o voto por número de credores, por cabeça, 43,75 por cento disseram sim ao plano e 56,26 por cento votaram não.

Já considerando as liminares, com o voto do FI-FGTS, 58,44 por cento aprovaram o plano e 41,5 por cento rejeitaram, na votação peso dos créditos. Por cabeça, 47,83 por cento dos credores nessa modalidade votaram a favor do plano e 52,17 por cento contra.

"Se o juiz entender que é conveniente, pode aprovar o plano", disse Felsberg. Ele interpreta que apesar de nos votos por cabeça, incluindo credores com liminar, o plano ter sido rejeitado, o juiz pode entender que a votação foi equilibrada e considerar o plano aprovado.

A liminar do FI-FGTS, no entanto, ainda está sendo julgada no Tribunal de Justiça de São Paulo e pode cair. Se isso acontecer, a votação indica que o plano foi reprovado.   Continuação...