Em ano difícil, Boeing não deve ser penalizada por acidente nos EUA

segunda-feira, 8 de julho de 2013 08:55 BRT
 

8 Jul (Reuters) - O primeiro acidente fatal com um avião Boeing 777 no sábado pode não representar um revés muito grande para a empresa, em parte porque o design da aeronave ajudou a evitar incêndios e panes que poderiam ter custado mais vidas, dizem especialistas.

Até o momento, não há indícios de falha mecânica no voo 214 da Asiana Airlines, que antes de pousar em São Francisco deslizou pela pista, matando dois passageiros e ferindo mais de 180 pessoas.

A presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, Deborah Hersman, disse no domingo que ainda é muito cedo para dizer se houve culpa do piloto ou uma falha mecânica. Mas afirmou que não havia nenhuma evidência de problemas com o voo ou com a aterrissagem até sete segundos antes do impacto, quando a tripulação tentou aumentar a velocidade do avião e a aeronave respondeu normalmente. A torre de controle não havia sido alertada para nenhum problema.

Especialistas em aviação apontam que a confiança no avião cresceu pelo fato da fuselagem ter se mantido praticamente intacta após o acidente e o incêndio ter permanecido sob controle até que muitos passageiros tivessem saído, graças ao projeto de engenharia e uma cabine que retarda chamas, padrão em jatos modernos.

Hospitais ficaram surpresos com a falta de vítimas de queimaduras. "Estávamos à espera de queimaduras, mas não as vimos", disse Margaret Knudson, chefe de cirurgia do Hospital Geral de São Francisco, que recebeu a maioria dos pacientes.

O acidente aconteceu num momento em que a Boeing luta para vender uma nova versão do 777 aos clientes, competindo com o avião A350 da rival Airbus.

No início deste ano, o Boeing 787 Dreamliner teve os voos cancelados pelos reguladores após baterias superaquecidas em dois jatos terem levantado preocupações de segurança, com a solicitação de uma revisão no projeto de bateria.

Horas depois do acidente aéreo, o primeiro nos Estados Unidos desde 2009, o presidente-executivo da Asiana Airlines, Yoon Young-doo, disse que o avião não pareceu ter falhado.

(Por Alwyn Scott)