Greve de caminhoneiros paralisa transporte de cargas na Argentina

segunda-feira, 8 de julho de 2013 15:21 BRT
 

BUENOS AIRES, 8 Jul (Reuters) - Uma greve do poderoso sindicato de caminhoneiros, em protesto contra os altos impostos sobre os salários, paralisava nesta segunda-feira o transporte de cargas na Argentina, afetando a atividade portuária no maior exportador global de derivados de soja.

A greve foi convocada por Hugo Moyano, chefe da maior central sindical do país, a CGT, e líder dos caminhoneiros, sindicato que engloba desde o transporte de jornais e combustíveis até a coleta de lixo e o fornecimento de alimentos às companhias aéreas.

"Se não puderem colocar gasolina, terão que se queixar com ela", disse Moyano nesta segunda-feira, se referindo à presidente Cristina Kirschner. O sindicato convocou uma grande mobilização no centro de Buenos Aires, onde milhares de caminhoneiros esperavam para escutar seu líder.

Nas ruas de Buenos Aires, no entanto, era notável a acumulação de lixo por conta da adesão dos coletores e varredores à greve.

Devido à grande deterioração da rede ferroviária nas últimas décadas, quase todos os bens argentinos são transportados por caminhão, incluindo as vitais colheitas de grãos e exportações automóveis.

Esta deterioração e a força agrícola da Argentina, fornecedor mundial de matérias-primas como a soja, ajudaram a consolidar o poder dos caminhoneiros no país.

O Bolsa de Valores de Rosario, que abriga o maior complexo de exportação agrícola da Argentina, disse que a entrada de caminhões registrados na segunda-feira nos portos da região foi de 2.148 unidades, uma queda de 57 por cento em relação ao dia anterior.

A maioria dos caminhões entrou cedo, antes que estacas bloqueassem o acesso aos terminais portuários de Rosário e às cidades vizinhas de San Lorenzo e Puerto San Martin.

Os terminais, que se encontram nesta época do ano em maior atividade, contavam com estoques para atender à demanda de exportação.

(Reportagem de Guido Nejamkis e Maximiliano Rizzi)