ENTREVISTA-Apetite de estrangeiro por infraestrutura diminui--Santander

segunda-feira, 8 de julho de 2013 19:44 BRT
 

Por Natalia Gómez

SÃO PAULO, 8 Jul (Reuters) - O apetite de investidores estrangeiros por projetos de infraestrutura no Brasil está diminuindo e isso deve comprometer o avanço do mercado de project finance nos próximos anos, disse um executivo do Santander Brasil.

Os investidores temem percalços regulatórias no país e também a diminuição da liquidez internacional, o que reduziria o volume de recursos disponíveis para capital de risco disse à Reuters na segunda-feira o superintendente executivo de project finance do Santander, Mauro Albuquerque.

O Santander participa atualmente de 60 projetos, ante 30 a 40 nos anos anteriores, na modalidade de project finance. Esses projetos somam investimentos totais (incluindo capital de acionistas e financiamentos) de 300 bilhões de reais nas áreas de transportes, energia, arenas, óleo e gás.

Como são planos com maturação longa, os altos volumes atuais são sustentados por conversas que começaram há meses, disse Albuquerque, acrescentando que este mercado vem crescendo nos últimos 18 meses e deve atingir seu pico no final deste ano ou no início de 2014.

Contudo, o executivo acredita que este movimento não é sustentável, já que as novas conversas não acontecem no mesmo ritmo. Apesar de as empresas brasileiras continuarem interessadas, a menor entrada de recursos estrangeiros vai tirar o fôlego financeiro dos projetos.

"No mínimo, o mercado vai se estabilizar, ou pode ter uma redução dependendo do ímpeto do governo", disse o executivo. O project finance é uma modalidade de financiamento muito usada em projetos de infraestrutura.

No mais comum, o projeto pertence a uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), de forma que o balanço dos seus acionistas não é afetado. Sua viabilidade depende da capacidade do projeto de gerar caixa, e não na capacidade de endividamento dos investidores.

"Vemos poucos novos investidores estrangeiros entrando no país", afirmou Albuquerque à Reuters. Os mais cautelosos, segundo ele, são os operadores que atuam no setor de infraestrutura em outros países, e não os investidores puramente financeiros.   Continuação...