Criação de agência para liquidar bancos quebrados divide UE

terça-feira, 9 de julho de 2013 10:54 BRT
 

Por John O'Donnell e Robin Emmott

BRUXELAS, 9 Jul (Reuters) - Uma divisão na União Europeia a respeito da melhor forma de controlar seus bancos está gerando dúvidas sobre até que ponto o bloco está disposto a ir para estabelecer um novo órgão responsável por liquidar bancos falidos.

A Comissão Europeia, Poder Executivo da UE, apresentará na quarta-feira uma proposta para a criação da agência, segundo pilar da chamada união bancária abrangendo principalmente a zona do euro.

A ideia da união bancária, adotada no auge da crise de crédito na zona do euro, é evitar que países vulneráveis precisem conter sozinhos seus eventuais problemas financeiros.

Mas a proposta depende do apoio unânime dos 28 países da UE para ser aprovada, e a Comissão terá o desafio de dar força à agência para se sobrepor às autoridades nacionais na hora de liquidar uma instituição.

É improvável que a Alemanha aceite um mecanismo que lhe obrigue a pagar a conta pela liquidação ou resgate de um banco espanhol, por exemplo.

A divisão dentro da zona do euro voltou a ficar visível numa reunião de ministros de Finanças na terça-feira, quando a Alemanha propôs uma abordagem mais cautelosa na criação da nova agência, enquanto a França defendeu a necessidade de concluir rapidamente essa questão.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, disse desejar alterações no tratado da UE para se adequar à legislação, um processo que poderá levar anos. Algumas fontes oficiais disseram que essa pode ser a senha para atenuar a proposta da Comissão.

"Já que não podemos emendar o tratado da UE, devemos nos apegar à base jurídica que temos, do contrário iremos fracassar", disse Schaeuble.

"Eu pediria fortemente à Comissão em sua proposta para um MUR (mecanismo único de resolução) que seja muito cuidadosa e se atenha à interpretação limitada do tratado."