July 9, 2013 / 6:58 PM / in 4 years

ENTREVISTA-ANP pode fazer com que OGX perfure mais poços

4 Min, DE LEITURA

Por Stephen Eisenhammer

LONDRES, 9 Jul (Reuters) - A Agência Nacional de Petróleo (ANP) afirmou que pode fazer a empresa de petróleo OGX, do grupo EBX de Eike Batista, que já enfrenta dificuldades com uma enorme dívida, invista na perfuração de mais poços nos campos offshore que a empresa afirmou não serem comerciais.

A OGX, anteriormente a segunda maior empresa de petróleo do Brasil em valor de mercado e um dos símbolos do boom de commodities do país, viu suas ações perderem 98 por cento do valor desde o recorde de alta em 2010.

A companhia surpreendeu os investidores na semana passada ao dizer que uma reavaliação dos levantamentos geológicos de Tubarão Azul mostrou que não havia tecnologia existente que poderia tornar a extração de petróleo economicamente viável.

"Nós podemos concordar com eles (de que o campo não é mais comercialmente viável) ou podemos pedir a eles que perfurem mais", disse Magda Chambriard, diretora-geral da ANP, em uma entrevista à Reuters nesta terça-feira.

"Se for concluído que não é comercial, nós podemos receber de volta a concessão", acrescentou.

Tubarão Azul foi o primeiro campo offshore da OGX e a produção teve início em 2012 em um nível bem abaixo das expectativas. A empresa disse na semana passada que a produção no local pode ser encerrada em 2014.

Magda, que está em Londres atrair investidores para a rodada de licitação de blocos do pré-sal em outubro, disse que a ANP ainda estava avaliando o desenvolvimento do plano da OGX para o campo e que deve chegar a uma conclusão nos próximos meses.

Anp Aguarda Estudo Da Chevron

Magda disse que o Campo de Frade da Chevron, fechado no ano passado após vazamentos de petróleo, não irá retornar a produção total até que a agência receba e analise um estudo sobre os motivos para o segundo incidente.

O campo retomou a produção em 20 mil barris por dia sob a condição de que a injeção de água e gás para elevar os volumes de produção não seja usado. Frade produzia cerca de 60 mil barris por dia quando foi fechado.

"O segundo incidente não foi completamente analisado, então, até que tenhamos esses resultados não podemos permitir que eles façam a injeção de água ou perfurem poços mais profundos", disse Magda.

Segundo ela, o campo deve atingir seu antigo nível de produção assim que a injeção for permitida. Mas quando isso vai acontecer depende da conclusão dos estudos pela Chevron.

"Isso depende agora mais deles do que de nós", disse ela. "Assim que completarem os estudos, podem começar a injeção."

A Chevron é a operadora do campo e detém 52 por cento da produção no local. Os outros parceiros são a Petrobras e Frade Japão, uma joint venture entre a japonesa Sojitz Corp e a Inpex Corp.

Os dois vazamentos resultaram num processo ambiental que chegou a 20 bilhões de dólares, mas quando questionada se havia qualquer dano ambiental duradouro Magda respondeu "não".

"Eles têm alguns problemas mas os consertaram. Tivemos alguns pequenos derrames", disse ela, acrescentando que agora vinte litros de óleo ainda vêm à tona diariamente no campo de Frade, quantia que é recolhida.

A diretora disse que havia pelo menos 30 grandes companhias petroleiras interessadas no leilão no Brasil em outubro para o prospecto de Libra, na Bacia de Santos, que deverá produzir cerca de 12 bilhões de barris de petróleo ao longo de 35 anos.

"Libra é algo gigante que não tem paralelo com qualquer coisa aberta a licitação no mundo em mais de 30 anos", disse.

A concessão do prospecto de Libra será a primeira sob as novas regras de compartilhamento de produção que elevou o controle estatal e aumentou a participação do governo na áerea offshore próxima ao Rio de Janeiro.

As minutas do edital do leilão, publicadas nesta terça-feira, informaram que o governo terá uma participação de pelo menos 41,65 por cento em todo o petróleo produzido em Libra, que pode ser de até 1 milhão de barris por dia.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier

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