10 de Julho de 2013 / às 22:45 / em 4 anos

CÂMBIO-Dólar sobe 0,5% ante real, para maior cotação em mais de 4 anos

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 10 Jul (Reuters) - O dólar fechou no maior nível em mais de quatro anos ante o real nesta quarta-feira, apesar da intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, sob a perspectiva de saída de investidores estrangeiros do país.

A moeda norte-americana subiu 0,48 por cento para 2,2729 reais na venda, o mais alto nível de fechamento desde o início de abril de 2009, durante a crise financeira internacional desencadeada pela quebra do Lehmann Brothers em setembro de 2008. Na máxima do dia, o dólar atingiu 2,2809 reais.

“Tem espaço para a cotação seguir puxado, o próximo patamar de resistência é 2,30 (reais). Enquanto o mercado brasileiro continuar pouco atrativo ao estrangeiro, ele vai continuar tirando recursos daqui”, afirmou o analista de câmbio da XP Investimentos, Caio Sasaki.

O volume das negociações ficou em cerca de 1,5 bilhão de dólares, segundo dados da BM&F. No mercado futuro, o dólar para agosto deste ano estava em alta de 0,22 por cento, para 2,281 reais.

Logo depois de o dólar atingir a máxima do dia, o BC entrou no mercado com uma oferta de swap cambial tradicional --equivalente à venda de dólares no mercado futuro--, no valor de 1,5 bilhão de dólares. Foram vendidos 29.700 contratos com vencimentos em 2 de dezembro de 2013 e 2 de janeiro de 2014, da oferta total de 30 mil papéis.

“Não adianta o Banco Central ofertar dólar no mercado futuro porque a demanda é compradora”, afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.

Na visão de Sasaki, a maior demanda compradora é de estrangeiros desfazendo de posições, sobretudo na Bovespa, para migrar suas aplicações para Estados Unidos por conta da possibilidade de o Fed reduzir o programa de estímulo monetário.

Nem a sinalização por parte do banco central norte-americano de que os estímulos monetários podem vigorar por mais tempo deu fôlego ao real nesta sessão.

A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed mostrou que cresceu o consenso dentro da autoridade monetária sobre a provável necessidade de começar a reduzir as medidas de estímulo econômico em breve. A ata também mostrou, no entanto, que muitos membros querem mais garantias de que a recuperação do emprego está sólida antes de uma redução das compras de ativos.

Além disso, os investidores também esperavam o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro. A expectativa é de que a Selic, atualmente em 8,0 por cento ao ano, deve ser elevada em 0,5 ponto percentual.

Edição de Walter Brandimarte

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