BC mantém ritmo de aperto monetário e eleva Selic para 8,50% ao ano

quarta-feira, 10 de julho de 2013 20:29 BRT
 

BRASÍLIA, 10 Jul (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira elevar a Selic para 8,50 por cento ao ano, ante 8 por cento, mantendo o ritmo do aperto monetário para combater a inflação sem machucar muito a recuperação econômica e indicando que manterá essa intensidade no futuro.

A decisão, que veio em linha com esperado pelo o mercado, foi unânime, com o Copom repetindo o argumento de que esse movimento colocará a inflação para baixo.

"O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", informou o Copom por meio de comunicado, repetindo a orientação dada em maio, quando também elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual.

Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana dos 57 economistas consultados, a Selic iria a 8,50 por cento ao ano.

"A gente acha que a Selic termina este ano em 9,25 ou 9,5 por cento. Mas, se continuar a depreciação do real em relação ao dólar, o BC pode se ver na necessidade de continuar a subir a Selic para limitar a contaminação do câmbio para inflação", disse o diretor de análise para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, para quem o Copom manterá o mesmo ritmo de alta em agosto, quando se reúne novamente.

Essa foi a terceira alta seguida da Selic no atual ciclo de aperto monetário, que começou em abril após a inflação acumulada em 12 meses ter estourado o teto da meta. A escalada dos preços acontece apesar da economia brasileira não ter dado ainda sinais consistentes de recuperação, com analistas apostando cada vez mais que o crescimento ficará pouco acima de 2 por cento neste ano.

Em junho, a inflação medida pelo IPCA estourou novamente a meta, ao acumular alta 6,70 por cento em 12 meses, maior alta desde outubro de 2011. Mas a variação mensal --de 0,26 por cento-- veio bem abaixo das expectativas, reforçando as apostas de que o BC não precisaria acelerar o passo e elevar ainda mais a Selic agora.

Logo após a reunião do Copom de maio, agentes econômicos começaram a apostar que o juro básico poderia ser elevado com mais força em julho, diante dos sinais dados pelo próprio BC, com discurso mais duro de combate à inflação ao afirmar que ficaria "especialmente mais vigilante" na condução da política monetária.

O BC estima que o IPCA ficará em 6 por cento em 2013 e em 5,4 por cento no ano que vem. Economistas consultados para elaboração da pesquisa Focus, por sua vez, veem a inflação a 5,81 e 5,90 por cento em 2013 e 2014, respectivamente.   Continuação...