July 10, 2013 / 11:15 PM / 4 years ago

BC mantém ritmo de aperto monetário e eleva Selic para 8,50% ao ano

5 Min, DE LEITURA

BRASÍLIA, 10 Jul (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira elevar a Selic para 8,50 por cento ao ano, ante 8 por cento, mantendo o ritmo do aperto monetário para combater a inflação sem machucar muito a recuperação econômica e indicando que manterá essa intensidade no futuro.

A decisão, que veio em linha com esperado pelo o mercado, foi unânime, com o Copom repetindo o argumento de que esse movimento colocará a inflação para baixo.

"O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", informou o Copom por meio de comunicado, repetindo a orientação dada em maio, quando também elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual.

Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana dos 57 economistas consultados, a Selic iria a 8,50 por cento ao ano.

"A gente acha que a Selic termina este ano em 9,25 ou 9,5 por cento. Mas, se continuar a depreciação do real em relação ao dólar, o BC pode se ver na necessidade de continuar a subir a Selic para limitar a contaminação do câmbio para inflação", disse o diretor de análise para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, para quem o Copom manterá o mesmo ritmo de alta em agosto, quando se reúne novamente.

Essa foi a terceira alta seguida da Selic no atual ciclo de aperto monetário, que começou em abril após a inflação acumulada em 12 meses ter estourado o teto da meta. A escalada dos preços acontece apesar da economia brasileira não ter dado ainda sinais consistentes de recuperação, com analistas apostando cada vez mais que o crescimento ficará pouco acima de 2 por cento neste ano.

Em junho, a inflação medida pelo IPCA estourou novamente a meta, ao acumular alta 6,70 por cento em 12 meses, maior alta desde outubro de 2011. Mas a variação mensal --de 0,26 por cento-- veio bem abaixo das expectativas, reforçando as apostas de que o BC não precisaria acelerar o passo e elevar ainda mais a Selic agora.

Logo após a reunião do Copom de maio, agentes econômicos começaram a apostar que o juro básico poderia ser elevado com mais força em julho, diante dos sinais dados pelo próprio BC, com discurso mais duro de combate à inflação ao afirmar que ficaria "especialmente mais vigilante" na condução da política monetária.

O BC estima que o IPCA ficará em 6 por cento em 2013 e em 5,4 por cento no ano que vem. Economistas consultados para elaboração da pesquisa Focus, por sua vez, veem a inflação a 5,81 e 5,90 por cento em 2013 e 2014, respectivamente.

Sobre a economia, o BC projeta expansão de 2,7 por cento para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, acima dos 2,34 por cento apontados no Focus.

A pá de cal nas apostas de que a Selic poderia ser elevada em 0,75 ponto percentual em julho veio no início do mês, com a divulgação de que a produção industrial recuou 2 por cento em maio sobre abril, deixando claro que a recuperação econômica mais consistente ainda não havia chegado.

câmbio

A recente disparada do dólar ante o real, que acompanha o movimento de valorização da moeda norte-americana no mercado internacional, é fator de grande preocupação com a inflação futura. A divisa acumula alta de quase 15 por cento de maio para cá, e encerrou o pregão desta quarta-feira a 2,2729 reais, renovando a máxima em mais de quatro anos.

O BC tem atuado no mercado de câmbio para segurar altas mais expressivas do dólar, sobretudo por meio de leilões de swap cambial tradicional --equivalentes a venda de dólares no mercado futuro. Mas o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, deixou claro que usaria a política monetária para segurar os preços, não a taxa de câmbio.

"O regime de câmbio flexível e uma adequada condução da política monetária reduzem o eventual repasse da depreciação cambial para a inflação", disse ele em junho.

Dentro da equipe econômica, há a avaliação de que o dólar vai se estabilizar no patamar de 2,20 reais diante das indicações de que a economia norte-americana está de fato se recuperando e que o Federal Reserve, banco central norte-americano, começará a reduzir seu programa de compra de ativos e, assim, diminuir a liquidez mundial.

Reportagem de Luciana Otoni e Alonso Soto, em Brasília, e Tiago Pariz, em São Paulo

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