July 11, 2013 / 1:07 AM / 4 years ago

REEDIÇÃO-BC eleva taxa de juros pela 3ª vez consecutiva, a 8,50% ao ano

5 Min, DE LEITURA

(Reescreve 5º parágrafo para esclarecer que a meta estourou antes de abril)

BRASÍLIA, 10 Jul (Reuters) - O Banco Central elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros pela terceira vez consecutiva e indicou que continuará com o ciclo de aperto monetário, apesar da economia ainda mostrar sinais de fraqueza, na tentativa de trazer a inflação para dentro da meta do governo.

A taxa básica de juros foi elevada de 8 para 8,5 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado, que apostava na manutenção do ritmo do aperto monetário.

"O comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado, repetindo a orientação dada em maio, quando também elevou a taxa em 0,50 ponto percentual.

Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana dos 57 economistas consultados, a Selic iria a 8,50 por cento ao ano.

O Banco Central iniciou um novo ciclo de aperto monetário em abril, após a inflação acumulada em 12 meses estourou o teto da meta do governo, de 4,5 por cento ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Em junho, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a estourar a meta, com alta de 6,70 por cento em 12 meses, a maior desde outubro de 2011. Mas a variação mensal --de 0,26 por cento-- veio bem abaixo das expectativas, reforçando as apostas de que o BC não precisaria acelerar o passo e elevar ainda mais a Selic agora.

"A decisão foi esperada, continuando o ritmo em 0,5 ponto e sinalizando que haverá mais altas nos juros no futuro....Há uma repetição do comunicado, o que deixa a impressão de que a estratégia de 0,50 ponto vai continuar na próxima reunião (do Copom, em agosto)", disse o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

A recente disparada do dólar ante o real, acompanhando o movimento de valorização da moeda norte-americana no mercado internacional, tem preocupado os economistas, que veem a possibilidade de repasse da alta para os preços internos - o que poderia levar o BC a subir ainda mais os juros.

"A gente acha que a Selic termina este ano em 9,25 ou 9,5 por cento. Mas, se continuar a depreciação do real em relação ao dólar, o BC pode se ver na necessidade de continuar a subir a Selic para limitar a contaminação do câmbio para inflação", disse diretor de análise para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos acrescentou Ramos.

A divisa norte-americana acumula alta de quase 15 por cento de maio desde maio, e encerrou o pregão desta quarta-feira a 2,2729 reais, renovando a máxima de fechamento em mais de quatro anos.

Logo após a reunião do Copom de maio, agentes econômicos chegaram a apostar que o juro básico poderia ser elevado com mais força em julho, diante do discurso mais duro do BC em relação à inflação e por causa da desvalorização do real.

A pá de cal nas apostas de que a Selic poderia ser elevada em 0,75 ponto percentual veio no início do mês, com a divulgação de que a produção industrial recuou 2 por cento em maio sobre abril, deixando claro que a recuperação econômica mais consistente ainda não chegou.

Para o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, a decisão de agora deixa claro que o BC não acelerará o ritmo de alta dos juros justamente para não piorar a atividade.

"A nossa avaliação é que esse ciclo deveria ser encerrado com a Selic acima de 9,75 por cento, mas o Comitê não fará isso por causa dos indicadores fracos para o crescimento", afirmou ele.

Na próxima semana, o BC divulga a ata da reunião do Copom, mas não há expectativa de sinalização de grandes mudanças na política monetária, já que o cenário econômico permanece o mesmo.

"Provavelmente, o que a gente vai ver na discussão da ata da semana que vem é que o BC continua vendo o mesmo cenário perigoso para a inflação. Já tem há algum tempo uma pressão de câmbio, enquanto outras coisas não sumiram do radar", disse o economista do Santander, Cristiano Souza.

"Vendo essas mesmas pressões, não tem porque ter uma leitura diferente: O BC deve elevar a taxa Selic em mais duas reuniões para terminar esse ano em 9,5 por cento", acrescentou.

Reportagem de Luciana Otoni e Alonso Soto, em Brasília, e Tiago Pariz e Silvio Cascione, em São Paulo; Texto de Patrícia Duarte; Edição de Raquel Stenzel

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