11 de Julho de 2013 / às 15:33 / em 4 anos

Supermercados e alimentos impedem queda nas vendas do varejo em maio

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 11 Jul (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro tiveram em maio um desempenho melhor que o esperado, por conta de supermercados e alimentos, mas a estabilidade na comparação mensal representa uma desaceleração e amplia os sinais de falta de fôlego da recuperação econômica.

Além disso, os próximos dados sobre o setor varejista, referentes a junho, devem mostrar efeitos negativos das manifestações públicas, que fecharam lojas em todo o país em vários momentos inesperados no mês passado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira também que em relação a maio de 2012 as vendas cresceram 4,5 por cento. Pesquisa Reuters apontava para uma queda de 0,3 por cento na variação mensal e uma alta de 3,5 por cento na anual.

“O ímpeto futuro das vendas no varejo tem enfraquecido na margem, puxado pela desaceleração no emprego e no crescimento do salário real, além do enfraquecimento da confiança do consumidor”, avaliou o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina Alberto Ramos.

De acordo com o IBGE, o resultado teve influência positiva do Dia das Mães, mas por outro lado pesaram a alta dos juros, a inflação em patamares elevados e o avanço do dólar ante o real.

“Mesmo com essa conjuntura o comércio está sobrevivendo graças à manutenção do emprego e da renda, mas sobrevive num ritmo menor que no ano passado”, destacou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.

SUPERMERCADOS

Segundo o IBGE, as vendas mensais de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo aumentaram 1,9 por cento em maio, após quedas de 0,3 por cento em abril e de 2,1 por cento em março.

“Percebemos que o varejo só não caiu em maio em virtude da recuperação das vendas nos supermercados. O consumo está desaquecendo e, apesar dessa leitura melhor que o esperado, essa visão não se altera”, afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB Luciano Rostagno.

Em relação a igual período de 2012, as vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram alta de 2,6 por cento em maio, após queda de 5,4 por cento em abril.

Esse grupo exerceu o principal impacto na formação da taxa anual, com 29 por cento.

Um fator que também pesou sobre o consumo é a recente valorização do dólar ante o real, que registrou alta de quase 15 por cento desde o início de maio até o fechamento da quarta-feira.

Isso já afetou, segundo o IBGE, as vendas de Tecidos, vestuário e calçados, que em maio recuaram 2,6 por cento ante abril, segunda queda seguida.

“O dólar mais alto já aparece na pesquisa, porque as importações estão mais caras”, completou Pereira, do IBGE.

No comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- as vendas registraram recuo de 0,8 por cento em maio ante abril, segundo o IBGE. Na comparação anual, houve aumento de 4,4 por cento.

O IBGE informou ainda que a receita nominal do varejo subiu 0,7 por cento na base mensal, com crescimento de 13,4 por cento na comparação anual.

MANIFESTAÇÕES

O fraco resultado do varejo, que vinha sendo o motor da economia, soma-se à queda de 2 por cento da produção industrial em maio, levantando ainda mais dúvidas sobre a recuperação da economia.

“No ano, a tendência é de desaquecimento do consumo, e a forte volatilidade que vemos nos mercados financeiro deve afetar os investimentos. Portanto, a expectativa é de que a economia deve desacelerar no segundo semestre”, completou Rostagno, do Banco WestLB, estimando expansão de 2,1 por cento da economia neste ano.

E os dados de junho do varejo não devem ajudar muito, já que refletirão os efeitos negativos dos protestos realizados nas grandes cidades no período.

“Considerando que o comércio fechou algumas vezes com as manifestações, é possível que isso tenha um efeito sobre a pesquisa de junho, e que haja uma base menor que a de junho do ano passado”, disse a economista do IBGE Aleciana Gusmão.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro

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