Fed cogita ajustar metas para acalmar agitação nos mercados

sexta-feira, 12 de julho de 2013 09:59 BRT
 

Por Ann Saphir e Jonathan Spicer

12 Jul (Reuters) - Autoridades do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, estão considerando ajustar as metas da política monetária do país com uma promessa de manter as taxas de juros baixas por mais tempo, com esperanças de evitar uma alta preocupante nos custos de empréstimos estabelecidos pelo mercado.

As principais autoridades do Fed, que vêm retirando todos os obstáculos para impulsionar a recuperação dos Estados Unidos da recessão, têm se preocupado durante meses com o fato de que os investidores podem conduzir os rendimentos dos títulos para cima quando chegar o momento de reduzir o programa do banco central de compras de títulos.

Os temores deles começam a se tornar realidade. Os rendimentos, que se movem inversamente ao preço dos títulos da dívida do Tesouro, começaram a subir com força em maio com as indicações de aumento mais forte de empregos e os sinais do Fed de que pode começar a reduzir suas compras de títulos, conhecidas como quantitative easing, a partir de setembro.

Com a alta dos yields, algumas autoridades do Fed ficaram otimistas com a ideia de ancorar os custos de empréstimo de maneira mais firme, ao prometerem manter as taxas perto de zero, depois que a taxa de desemprego cair abaixo de 6,5 por cento, o atual limiar do Fed para considerar uma política monetária mais apertada. O desemprego estava em 7,6 por cento em junho.

O chairman do Fed, Ben Bernanke, aumentou a perspectiva de um limiar mais baixo para a taxa de desemprego no mês passado, mas a mensagem foi perdida no alvoroço gerado ao dizer que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que estabelece as políticas do banco central, planeja encerrar as compras de título até meados de 2014 --um comentário que fez os yields de títulos subirem.

"Eu realmente acho que há muitos membros do Fomc que vão querer manter as taxas em zero pelo tempo que for possível, particularmente no encerramento do quantitative easing", disse o economista-chefe do CME Group, Bluford Putnam, que também é ex-economista do Fed de Nova York.

O presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, defendeu a ideia há quase um ano, quando ele pediu um patamar de 5,5 por cento para a taxa de desemprego --e ele não voltou atrás desde então.

As autoridades dizem que a opção de diminuir o patamar do desemprego está em cogitação, mas não é uma certeza.

Mas as recentes oscilações no mercado de títulos tornam a opção ainda mais atraente. O yield do título do Tesouro com vencimento em 10 anos, que é utilizado como referência para as taxas hipotecárias e outros tipos de taxas de empréstimo, vem subindo cerca de 1 ponto percentual durante os dois últimos meses.

Antes delas sinalizarem uma mudança, as autoridades podem querer ver uma inflação baixa persistente, que pode indicar o risco da quedas de preços que prejudicam o crescimento e de uma economia estagnada, ou temer outro aumento prejudicial de taxas em resposta às mudanças no programa de compra de títulos.