12 de Julho de 2013 / às 21:05 / em 4 anos

Leilão de transmissão de energia tem vencedoras novatas

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 12 Jul (Reuters) - O leilão de transmissão de energia realizado nesta sexta-feira terminou com pouca participação das empresas tradicionais do setor, numa competição em que as principais vencedoras foram consórcios formados por novatas ou estreantes no setor.

O deságio médio do leilão foi de 12,76 por cento, bem menor que a média de todas as licitações da área já realizados no Brasil, de 26,11 por cento, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Vence quem oferecer o maior desconto em relação à receita anual permitida (RAP) máxima estabelecida.

“O sucesso do leilão não está atrelado ao valor do deságio. O deságio ao longo do período de 2012 e 2013 reflete situações econômicas e financeiras do país e também global distintas”, disse o diretor da Aneel André Pepitone. “Isso está muito associado também a risco cambial, à questão dos juros, capital para financiar investimentos. São momentos distintos”, acrescentou.

O retorno de capital (WACC) definido pela Aneel para os leilões de transmissão atualmente está em 4,6 por cento, patamar considerado baixo por investidores diante dos riscos associados aos empreendimentos.

Dois dos sete lotes do leilão desta sexta-feira não receberam oferta. Além disso, a maioria das empresas vencedoras é estreante ou têm pouca tradição no setor de transmissão de energia brasileiro.

O Fundo de Investimentos e Participação (FIP) Caixa Milão, do grupo J&F, holding do frigorífico JBS, saiu ganhador de dois lotes, em consórcios com outras companhias. O fundo estreou no setor em leilão realizado em 2012, quando venceu um lote com Furnas, do grupo Eletrobras.

No leilão desta manhã, o FIP Caixa Milão também arrematou um lote em um consórcio com Furnas --única grande empresa brasileira do setor a sair vencedora no certame-- e com a goiana Celg Geração e Transmissão; e em outro com Bimetal Energia e Geoenergia Soluções de Sistemas de Energia, ambas sem tradição nos últimos leilões de transmissão.

Além do lote B vencido junto com FIP Caixa Milão e Furnas, a Celg --outra que não marcava presença nos últimos leilões-- deu o melhor lance pelo lote F, em sociedade com a CEL Engenharia.

O lote B tem empreendimentos no Distrito Federal e Goiás. “Esse empreendimento tem um desafio grande que é uma linha subterrânea na capital federal, em lugares de difícil implantação”, disse o diretor-técnico Comercial da empresa, Asley Stecca, acrescentando estar confiante quanto ao cumprimento dos prazos das obras.

O engenheiro eletricista da CEL Engenharia, Célio de Oliveira, disse sobre o lote F, vencido em parceria com a Celg, que os custos estão no limite. O vencedor do lote F, localizado no Mato Grosso do Sul e o menor do leilão em valor de receita, foi definido por sorteio, depois que dois concorrentes apresentaram lances iguais e não quiseram seguir em competição a viva-voz. O deságio oferecido foi de 5 por cento.

Dois lotes do leilão de transmissão ainda foram levados por empresas estreantes no setor: a MFG Engenharia e a Incorporações e Geoenergy Energia e Serviços formaram consórcio para arrematar os lotes D e E, um no Rio Grande do Sul e outro no Rio Grande do Norte, oferecendo deságios de 17,35 e de 10,7 por cento.

“É um ‘player’ novo no mercado que ainda não tem contrato de concessão assinado com o poder concedente”, disse Pepitone, da Aneel, explicando que a qualificação dos vencedores será feita após o leilão.

LOTES SEM OFERTA

O lote A, que colaboraria para conectar o Acre ao Sistema Interligado Nacional (SIN), não recebeu lances. O empreendimento já tinha sido oferecido em leilão realizado em dezembro de 2012.

A Aneel elevou o valor do investimento na obra em 30 por cento e o valor da RAP em 26 por cento, em relação ao último leilão. A agência ainda fez alteração na altura das torres.

“Trata-se de uma obra também na selva amazônica... Acredito que o desafio ambiental deva ter sido um dos fatores que mais contribuiu para isso (não receber ofertas)”, disse o diretor da Aneel.

O outro lote que não recebeu lances, o G, é necessário para atender o crescimento de carga da região nordeste do Maranhão e a Aneel não esperava a falta de interesse.

A agência reguladora reavaliará as condições do empreendimentos dos lotes A e G, segundo Pepitone.

O leilão de transmissão desta sexta-feira foi o segundo do ano e previa investimentos totais de 1,2 bilhão de reais nos empreendimentos que foram levados à licitação.

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