Dólar tem queda de quase 2% ante o real, maior em mais de 1 ano, por China

segunda-feira, 15 de julho de 2013 17:33 BRT
 

Por Tiago Pariz

SÃO PAULO, 15 Jul (Reuters) - O dólar recuou quase 2 por cento ante o real nesta segunda-feira, a maior queda em mais de um ano, após a divulgação do crescimento econômico da China ter estimulado a demanda por ativos de países com perfil exportador de commodities, como é o caso do Brasil.

Mais cedo, foi divulgado que a China registrou expansão dentro do esperado, frustrando aqueles investidores que apostaram numa desaceleração mais forte da segunda maior economia do mundo.

O dólar fechou em queda de 1,88 por cento, a 2,2243 reais na venda, a maior retração desde 29 de junho do ano passado, quando o dólar caiu 3,20 por cento. O pregão foi marcado, mais uma vez, pelo baixo volume de negócios, com cerca de 1,3 bilhão de dólares, de acordo com dados da BM&F.

O crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) da China desacelerou para 7,5 por cento entre abril e junho --o nono trimestre dos últimos 10 em que a expansão enfraqueceu--, mas trazendo alívio ao mercado já que o crescimento não ficou ainda menor após a queda inesperada nas exportações em junho.

O dado chinês fez os investidores renovarem o apetite por moedas de países emergentes exportadores de commodities. Mas o recente desempenho do real pior do que seus pares devido ao fraco crescimento no Brasil, inflação elevada e flexibilização da política fiscal tornava o ajuste da moeda brasileira mais forte.

"Os dados de PIB da China reduziram temores de um 'hard landing' e isso favoreceu moedas de países exportadores de commodity, como o dólar australiano e o real", afirmou o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno. "Mas como o real se desvalorizou mais recentemente, é natural que haja uma recuperação um pouco mais forte", emendou.

O dólar australiano, neste pregão, subia cerca de 0,60 por cento ante o dólar.

As notícias vindas da China fizeram até alguns analistas a revisarem, e para baixo, suas perspectiva para o dólar ante o real no curto prazo. O Credit Suisse, por exemplo, para os próximos três meses, acredita que a divisa ficará em 2,20 reais, e para os próximos 12 meses, em 2,15 reais.   Continuação...